A porta de entrada faz-se por Tenerife, a ilha mais turística das Canárias. Também lá iremos, mas por agora convido-os a visitar La Gomera, por onde se chega apenas por mar e daí se avista um paraíso quase perdido. Apenas com 370 km² de área, La Gomera é a segunda mais pequena das principais ilhas daquele arquipélago. A sua forma circular e o imenso verde sobre os barrancos dão a esta pacata ilha uma visão de refúgio mais-que-perfeito.
Se todos os caminhos vão dar a Roma, como costumamos dizer, os trilhos de La Gomera desembocam todos no pico de Garajonay, que atinge a altitude máxima nos seus imponentes 1487m de altitude. Aqui mesmo, no centro da ilha, a vista surpreende-se a toda a volta, tantos são os percursos que imaginamos poder percorrer. Teremos de fazer escolhas, naturalmente, mas o pico de Garajonay estende-se por variadíssimas direcções, com ravinas escarpadas e barrancos, de onde se chega à floresta típica da Macaronésia, a laurisilva, caracterizada pela sua vegetação exuberante.
La Gomera é, por isso, ideal para os amantes de caminhadas e da natureza, convidando à evasão e ao descanso, não fosse o Parque Nacional de Garajonay uma área protegida, a bem da conservação da natureza, sendo uma das zonas reconhecidas pela UNESCO. As suas múltiplas ravinas escondem histórias ainda mais fantásticas, como aquela linguagem assobiada a que chamam o Silbo (silvo), uma forma original de comunicação inventada pelos habitantes aborígenes da ilha, os guanches, que seria adoptada pelos colonizadores europeus do século XVI, sobrevivendo assim à extinção dos guanches. O Silbo é hoje é objecto de políticas de conservação, sendo aprendida nas escolas da ilha.
Uma outra história que distingue La Gomera, identifica a ilha como elemento histórico bem próximo de nós. Conta-se que Cristóvão Colombo fez em La Gomera a sua última escala antes de atravessar o Oceano Atlântico, em 1492. A casa da localidade de San Sebastián onde pernoitou é hoje uma atracção turística. Poderíamos bem imaginar Colombo a deliciar-se com a gastronomia local. Os vinhos produzidos na ilha têm um carácter único, distinto, preferencialmente consumido com queijo local e carnes grelhadas de porco e de cabrito, a especialidade gastronómica da ilha.
A ilha de La Gomera faz parte da Província de Santa Cruz de Tenerife, está dotada do seu Cabildo Insular e é dividida em seis municípios: Agulo, Alajeró, San Sebastián de la Gomera (a capital), Hermigua, Valle Gran Rey e Vallehermoso. A Norte, igualmente surpreendente, encontraremos o Castillo del Mar, fortaleza medieval virada ao imenso Atlântico, desde 1890 quando foi construída, é agora um acolhedor Centro Cultural, reconstruído em 2001, onde não faltam espectáculos e outras ofertas culturais.
Visitada La Gomera, um paraíso entre ilhas, regressaremos de novo à mais agitada e turística Tenerife, a ilha mais povoada das ilhas Canárias, dominada pelo vulcão Teide, na mais alta montanha de Espanha. Ainda de passagem pelas Ilhas Canárias, ligada a Tenerife, não deixe de visitar a cidade de San Cristóbal de La Laguna, declarada Património Mundial pela UNESCO.
A pouco mais de duas horas de avião da Península Ibérica e a quatro horas das principais cidades europeias, as Ilhas Canárias, Tenerife e La Gomera, prometem ser um destino de eleição que vale a pena visitar.
Nota: Artigo publicado no MyGuide em Junho de 2011, agora novamente colocado em destaque.
Rui José Gonçalves Teixeira
A visitar brevemente
Thanks
1. Jul, 2011
João Miguel Belo
Muito bem Miguel...foi agradavel recordar!
1. Jul, 2011
Joana Schmidt Costa
Mas que grande aspecto! As canárias poderão ser uma hipótese em breve.
Obrigado Miguel :)
1. Jul, 2011