O termo "viral" já é do tempo em que as novas tecnologias já não eram propriamente novas mas quando o meu disco aceitou o meu primeiro viral ainda se dizia "informática". Eu explico: para a geração 2.0, a tribo dos nativos digitais, a história da viralidade musical não pode ser escrita sem nomes como M.I.A,Ok Go e Simian vs. Justice. Em Portugal, esse papel de aproximação entre o produtor e o consumidor, proporcionado por ferramentas que então surgiam como o MySpace e YouTube, foi brilhantemente desempenhado pelos Buraka Som Sistema.
Era um tempo novo que à velocidade da banda larga já está tão longínquo que o MySpace está a ser lentamente reocupado graças a um efeito revivalista não muito diferente daquele que se passa com o vinil e que começa também a dar sinais com a cassete. Por viral, entende-se a partilha massificada de uma determinada canção em formato vídeo ou áudio - o MSN Messenger, agora semi-abandonado, era o canal mais utilizado - e, já então como agora, preferencialmente sem a intervenção de estruturas convencionais para favorecer a afirmação social do acto.
Regressando à casa de partida, o meu primeiro viral foi pioneiro na criação, de um ponto de vista tecnológico, mas partilhado apenas através de uma televisão Phillips que emitia dois canais a cores.
Sledgehammer, de Peter Gabriel, um hino pop cromático, retirado de um dos álbuns fundamentais para se entender a intervenção da máquina na pop de meados dos anos 80, So, não mais abandonou a minha jukebox visual e não são os nove prémios nos MTV Awards do ano seguinte que agora me impressionam nem sequer o facto de ser o teledisco mais tocado no canal que deixou de ser de música. Vinte cinco anos depois da estreia no ar, a tecnologia é incomparavelmente mais acessível mas são as grandes ideias que continuam a deixar lastro. O recurso a animação em stop-motion e a pixelização era então uma novidade mas duas décadas e meia depois o vídeo resiste actual. E porquê? Porque Peter Gabriel consegue representar a genial esquizofrenia de uma canção inspirada na soul da Stax mas concebida com os recursos já então disponíveis. A máquina executa, o cérebro pensa e o corpo age. Era assim e será também a 7 de Julho quando se apresentar com uma orquestra no Super Bock Super Rock. O contexto pode não ser o ideal mas canções como Sledgehammer ganharam um estatuto de imortalidade que a televisão e a Internet ajudam a perpetuar.
CULTURA: O meu primeiro viral
por Davide Pinheiro
26. Jun, 2012
O termo "viral" já é do tempo em que as novas tecnologias já não eram propriamente novas mas quando o meu disco aceitou o meu primeiro viral ainda se dizia "informática". Eu explico: para a geração 2.0, a tribo dos nativos digitais, a história da viralidade musical não pode ser escrita sem nomes como M.I.A, Ok Go e Simian vs. Justice. Em Portugal, esse papel de aproximação entre o produtor e o consumidor, proporcionado por ferramentas que então surgiam como o MySpace e YouTube, foi brilhantemente desempenhado pelos Buraka Som Sistema.
Era um tempo novo que à velocidade da banda larga já está tão longínquo que o MySpace está a ser lentamente reocupado graças a um efeito revivalista não muito diferente daquele que se passa com o vinil e que começa também a dar sinais com a cassete. Por viral, entende-se a partilha massificada de uma determinada canção em formato vídeo ou áudio - o MSN Messenger, agora semi-abandonado, era o canal mais utilizado - e, já então como agora, preferencialmente sem a intervenção de estruturas convencionais para favorecer a afirmação social do acto.
Regressando à casa de partida, o meu primeiro viral foi pioneiro na criação, de um ponto de vista tecnológico, mas partilhado apenas através de uma televisão Phillips que emitia dois canais a cores.
Sledgehammer, de Peter Gabriel, um hino pop cromático, retirado de um dos álbuns fundamentais para se entender a intervenção da máquina na pop de meados dos anos 80, So, não mais abandonou a minha jukebox visual e não são os nove prémios nos MTV Awards do ano seguinte que agora me impressionam nem sequer o facto de ser o teledisco mais tocado no canal que deixou de ser de música. Vinte cinco anos depois da estreia no ar, a tecnologia é incomparavelmente mais acessível mas são as grandes ideias que continuam a deixar lastro. O recurso a animação em stop-motion e a pixelização era então uma novidade mas duas décadas e meia depois o vídeo resiste actual. E porquê? Porque Peter Gabriel consegue representar a genial esquizofrenia de uma canção inspirada na soul da Stax mas concebida com os recursos já então disponíveis. A máquina executa, o cérebro pensa e o corpo age. Era assim e será também a 7 de Julho quando se apresentar com uma orquestra no Super Bock Super Rock. O contexto pode não ser o ideal mas canções como Sledgehammer ganharam um estatuto de imortalidade que a televisão e a Internet ajudam a perpetuar.
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