GASTRONOMIA:Tia Alice

A combinação de um ambiente acolhedor que parece que nos abraça e acaricia, com uma cozinha tradicional de grande requinte, fazem deste espaço próximo da Cova de Eiria, uma autêntica catedral gastronómica, um local maravilhoso para um jantar despreocupado, íntimo e tranquilo.

Pergunto-me sempre, como foi possível transformar a cave de uma vivenda familiar ao  lado do cemitério, num local tão equilibrado, iluminado por um bom gosto de grande simplicidade e autenticidade.

No ambiente rústico da sala de paredes de pedra e traves de madeira no teto, nada sobressai verdadeiramente, mas tudo parece perfeito.

É difícil resistir às azeitonas e ao pão com manteiga de alho caseira que nos propõem para início. A ementa, composta exclusivamente por pratos da cozinha tradicional portuguesa, não sendo extensa, parece-me mais do que suficiente para não condicionar as escolhas.

Começámos com uma açorda de camarão, terminada na nossa mesa, e seguimos para uma vitela assada no forno de lenha, com batata e nabiças. Os sabores da acorda são inesquecíveis, incontornáveis. Esta açorda é obrigatória – na verdade é a minha primeira escolha, que vou combinando com os outros pratos, sempre que tenho o prazer de partilhar a refeição a dois.

A carta de vinhos é vasta em opções e preços para todos os gostos e carteiras. Para não fazer disparar a conta, optei pelo Esteva, que vai sempre bem e nunca compromete.

Estava convicto que iria resistir à sobremesa, até que disseram inocentemente ‘recomendamos o leite creme’ – a única sobremesa que não consigo resistir. Sem vacilar, cedi e não me arrependi.

Aberto desde 1988, a Tia Alice, continua igual a si própria. Nas suas paredes estão gravadas algumas das minhas melhores recordações.

Consulte este e outros artigos em: http://foradaminhacozinha.wordpress.com

  • Pedro Castanheira

    Se é a mesma Tia Alice que eu conheci à uns anos atrás, então é mesmo um verdadeiro roteiro gastronómico