As palavras são sempre um sem-fim de sons, um amontoado de letras e sucessivas definições. Quase todas as palavras têm mais do que um significado, e não há exceção para quando se fala da palavra casa. Para além das definições que os dicionários, de todas as línguas, oferecem, a palavra acaba por ser muitas vezes usada como sinónimo de lar. E aí poder-se-ia levantar de novo outra questão linguística, e desenvolver uma questão quanto ao que seria o lar. Mas não! Para mim, a casa é mesmo o lugar onde o coração está. E não quer dizer que seja o local onde nasci. Na verdade, não considero a minha terra natal como a minha casa, mas isso seria outra questão. Quem muito viaja acaba por muito aprender, são muitas culturas, muitas formas de ver a vida e de interpretar as vivências e um sem-fim de significados. Mas, para mim, casa acaba por ser feita de gente…não contam quantos quartos, casas de banho ou se o espaço tem varandas e jardim. A casa é feita de pessoas, cheiros, familiaridade, mesmo que ausente de sanguinidade. Dos momentos que se viveu, das histórias que se contou, do que se aprendeu. Não é em vão que muita gente muda de casa quando sente necessidade de fechar algum ciclo.
Nestas fotografias de McCurry encontrei as casas mais desprovidas de tudo, cheias de nada, e fiquei a pensar no lado humano que enche as paredes de todos os lugares, de todas as casas a que já chamamos de casa. Nos lugares mais improváveis, o que nos faz também espreitar de forma tímida e ficar intimidados…porque, sem gente, casa seria só uma palavra e um par de paredes, mais ou menos abstratas.
Ana Tomasi
Boas imagens. E boas palavras também. ;)
12. Abr, 2013
Pedro Castanheira
A nossa casa é a nossa casa independente do formato e do local. Somos nós que a fazemos, que a sentimos e que a vivemos.
16. Abr, 2013