É preciso viajar. Mais logo talvez vá levantar bilhetes, mas ainda não sei, tenho tanto que fazer.
Viajar é brincar com o tempo e com o espaço, é enganar a rotina e fazer gazeta ao que é ordinário, é pousar os pezinhos no novo e espetacular, mesmo que não seja por muito tempo.
Aqui estou eu, a meio de uma semana de aulas, na aula de Ética, são 14 horas e estou a ouvir uma dissertação sobre deontologia. Chato?! Onde?
Sim, é chato, é muito chato e sou capaz de jurar que os 16 colegas que tenho a dormir nas cadeiras à minha frente concordam comigo.
O que eu não dava para estar a beber um cocktailzinho gelado em plena praia de areia branca algures no Brasil , enquanto sentia o meu ritmo cardíaco a acalmar cada vez mais, misturando-se com som das ondas do mar e refastelando-me na suavidade da toalha de praia, ao mesmo tempo que o sol me torra as costas.
Ou podia sempre optar por ir escalar o Monte Everest, mas só a base do monte, porque quanto mais para o topo se sobe maiores são a probabilidades de perder importantes saliências do corpo humano e ganhar edemas pulmonares.
Também não estava mal na Riviera Maya a descobrir novas coisas sobre a civilização Maia e com toda aquela imensa riqueza arqueológica e cultural e com as magníficas paisagens naturais, talvez encontrasse forças em mim para lhes perdoar o erro na data do fim do mundo, que tanto nos transtornou.
“Meditem nisso!” disse agora a professora, e eu bem que meditava ia até à Índia na busca incessante do autoconhecimento e da paz interior, fazer-me de Julia Roberts a comer, orar e amar... Ah! E a meditar, claro!
Talvez me fizesse bem tentar descobrir o sentido da vida. Quiça ir até à Terra Santa desenterrar os mais variados acontecimentos bíblicos, conhece-los escrupulosamente, aproveitava e dava um saltinho ao Murro das Lamentações, com sorte acabava a viagem lá agarrada, a chorar baba e ranho...
Estou de volta, parei a minha pequena volta ao Mundo em 15 minutos e voltei à minha cadeira desconfortável e dura, no meu anfiteatro chato, com as paredes todas brancas e um projetor dependurado no tecto.
Eu acho que viajar é a cura para a alma e penso que o ser humano, quando está num impasse na sua vida, deve mudar de sítio. Nem que seja só por um bocadinho. Mas é na busca do desconhecido e na procura pelo conhecimento do novo que está a concretização e é aí que nos encontramos a nós próprios e à nossa verdadeira essência, que muitas vezes no dia-a-dia anda adormecida e a precisar de um abanão.
Passei os últimos 15 minutos a viajar na minha mente e o meio de transporte que usei foi apenas um pedaço de papel e uma esferográfica...
Já chega! Viajar significa tudo isto para mim e o mais espantoso é que continuo aqui sentada! Vou-me levantar, vou sair da aula e vou ganhar o dia! Vou levantar os bilhetes e é já, porque eu preciso de viajar.
Rita Ferreira
Foto por: Ana Rita Ferreira
Pedro Castanheira
Quantos de nós não viajam assim? Agora à que dar asas ao desejo.
16. Abr, 2013
Pedro Bretes
O que eu não dava para estar a fazer tudo isto também. Obrigado pela "viagem", Ana.
19. Abr, 2013
Rita Ferreira
Foi com todo o prazer, Pedro Bretes. Obrigado eu :)
Completamente de acordo Pedro Castanheira :)
Muito obrigado Tânia Barreira :D
Obrigado a todos pelos comentários :)
19. Abr, 2013