Dia 13, dia de suposto azar, dia de serenidade espiritual.
São quatro e meia da tarde e estamos no topo de Petrin Hill, no meioda natureza, a olhar ao longe a civilização checa, de imponentes edifícios.
Por aqui reina a harmonia, o equilíbrio. Tudo nesta vista leva a pensar que o Homem é um ser extraordinário. E é. É um ser extraordinariamente ambicioso e requintado. Ser de fins e não de meios.
Hoje, daqui de cima, quase consigo desconstruir a cidade e imaginar a sua montagem, peça por peça, como se de lego se tratasse. Quase consigo ouvir o transportar das pedras, os gritos de esforço de quem o fazia, o olhar cansado dos camponeses.
Ao fundo, as caixas metálicas sobre rodas brilham nas pontes e, junto a mim, as ervas, baixas e ágeis, oscilam com o vento, que por elas passa a uivar em jeito de segredo.
As folhas das árvores mexem, tilintando no alto, mas tudo o resto parece adormecido e imperturbável. Nada e tão como o meu espírito por terras praguenses: mais acordado e livre de perturbações que nunca.
Ao longe, ouvem-se gritos que prefiro ignorar. Concentro-me, ao invés, nas águas do Vltava, castanhas e, à primeira vista, pouco amistosas. Concentro-me na beira-rio e no quão a cidade à volta dá ao leito todo um encanto grandioso e verdadeiramente pitoresco.
Praga é, de verdade, sinónimo para mim de plenitude - de sentidos e sensações. É “sentir tudo de todas as maneiras”, é sentir-me nascida a cada momento e, por isso, hoje, a um mês do dia de encarar o copo meio cheio, sinto-o transbordar.
VIAGENS (lá fora): Praga, cidade de mil recantos e encantos
por Isadora Martins de Freitas
13. Ago, 2013
São quatro e meia da tarde e estamos no topo de Petrin Hill, no meio da natureza, a olhar ao longe a civilização checa, de imponentes edifícios.
Por aqui reina a harmonia, o equilíbrio. Tudo nesta vista leva a pensar que o Homem é um ser extraordinário. E é. É um ser extraordinariamente ambicioso e requintado. Ser de fins e não de meios.
Hoje, daqui de cima, quase consigo desconstruir a cidade e imaginar a sua montagem, peça por peça, como se de lego se tratasse. Quase consigo ouvir o transportar das pedras, os gritos de esforço de quem o fazia, o olhar cansado dos camponeses.
Ao fundo, as caixas metálicas sobre rodas brilham nas pontes e, junto a mim, as ervas, baixas e ágeis, oscilam com o vento, que por elas passa a uivar em jeito de segredo.
As folhas das árvores mexem, tilintando no alto, mas tudo o resto parece adormecido e imperturbável. Nada e tão como o meu espírito por terras praguenses: mais acordado e livre de perturbações que nunca.
Ao longe, ouvem-se gritos que prefiro ignorar. Concentro-me, ao invés, nas águas do Vltava, castanhas e, à primeira vista, pouco amistosas. Concentro-me na beira-rio e no quão a cidade à volta dá ao leito todo um encanto grandioso e verdadeiramente pitoresco.
Praga é, de verdade, sinónimo para mim de plenitude - de sentidos e sensações. É “sentir tudo de todas as maneiras”, é sentir-me nascida a cada momento e, por isso, hoje, a um mês do dia de encarar o copo meio cheio, sinto-o transbordar.