PASSEIOS (cá dentro): Açores, o verde que jamais se esquece

S. Miguel

 

Foram umas lapas, comidas na praia do Meco, o derradeiro motivo para me levar aos Açores. A até então preterida viagem, passou a plano de férias quando o casal desconhecido que partilhava a mesa connosco, ao ser atraído pelas lapas fumegantes que nos ornamentavam mesa e estômago, se atreveu a iniciar uma troca de palavras acerca dos atributos das lapas açorianas. De ouvidos atentos, começámos por escutar aquele que foi o primeiro argumento a justificar uma viagem aos Açores, mas deixámo-nos levar por muitos outros que, narrados por quem nasceu e conhece a fundo todos os predicados que abundam naquelas ilhas a meio do oceano, nos deixaram convencidos a não adiar mais a descoberta daquele arquipélago. Seria desta que iríamos – finalmente - aos Açores.

 

Seguindo as sugestões postas em cima da mesa do referido almoço, decidimo-nos por visitar quatro ilhas mas a vontade de conhecer as restantes ficou definitivamente instalada. Apesar de possuírem características comuns, cada ilha oferece particularidades que a torna única e o reconhecimento dessas diferenças faz parte do prazer e do desafio de qualquer viagem aos Açores.   Faial, Pico, São Jorge e São Miguel foram o quarteto anfitrião e tenho de admitir que fomos recebidos com toda a pompa e circunstância que a natureza permite.

Faial

 

 Pico

 

 S. Jorge

 

S. Miguel

 

Dos Açores já quase tudo foi dito mas o mais importante é mesmo o que fica por dizer. Isto porque os Açores, mais do que relatados, têm de ser vividos e sentir os Açores é algo que as fotografias e as reportagens de viagens nunca conseguirão transmitir porque transcende toda e qualquer materialidade. Apesar dos produtos regionais bem posicionados na escala da qualidade como o queijo da ilha, o ananás, as conservas ou o chá, a verdade é que nos Açores não há um turismo desenvolvido, o serviço não é aprimorado, não existem grandes hotéis nem excelentes restaurantes, o comércio não é apelativo (e, confesso em surdina, nem as lapas são assim tão boas!). Porém os Açores superam todas as faltas que lhe possam ser apontadas já que nos conquistam pela sua essência, pela sua genuinidade, pelos seus aspectos mais intocáveis, pela sua beleza, pelo seu verde (único e inigualável), pela sua aura, pela sua perfeição natural. Nos Açores tudo é bonito, tudo merece uma exclamação, tudo justifica uma fotografia, uma paragem, uma contemplação.

 

Os Açores vivem de dualidades, aparentes antíteses, que muito contribuem para o seu encanto. Há locais que misturam o bucólico com o inóspito, a afabilidade com o perigo. Há locais que parecem somente poder pertencer a mundos imaginados em confabulações fantásticas. Outros convidam à meditação, à partilha directa com a natureza mais pura. Há medo misturado com fascínio, calor com humidade, aroma a terra com partículas de mar.  

 

Nos Açores conheci a fundo o meu lado desprendido. Sendo habitualmente apreciadora de cidades, de urbanidade, de atmosferas cosmopolitas, dei por mim a prescindir de tudo isto, sem sentir a mínima falta, para comungar com a natureza e respirar verde. Nos Açores as melhores refeições não são as tidas à mesa de um restaurante mas aquelas que se comem num miradouro a admirar uma fajã mesmo que a comida seja uma sandes comprada à pressa num momento de capitulação aos caprichos da fome.

 

É por nos fazer voltar aos básicos; por nos fazer desprender dos luxos mundanos; por nos mostrar todos os tons e matizes de verde (o verde, sempre o verde que nos inebria); por nos fazer partilhar caminhos com vacas; por nos dar as mais belas estradas de areia, verdadeiros labirintos de hortênsias, que os Açores são belos, mágicos e exuberantes.

 

Os locais a serem visitados nas várias ilhas estão facilmente identificados em qualquer guia turístico ou mapa de estradas. Mas o essencial nos Açores é mesmo a surpresa, é percorrer as ilhas e deixar que a sua magia vá ditando as paragens, o ritmo com que se tiram as fotografias, o tempo que se dedica a cada lugar. De carro, de bicicleta ou a pé, o que importa é ouvir as ilhas e seguir os seus conselhos, de preferência sem pressas, somente à mercê daquilo que elas nos revelam sempre numa voz doce e persuasiva.

 

Gostaria de ter uma memória prodigiosa que me permitisse guardar todos os bocadinhos registados pelas minhas retinas, pelo meu olfacto, pelos meus pés. Mas como a capacidade de reter e lembrar é limitada, restam as fotografias quase todas tiradas numa sofreguidão por querer transportar connosco todos os locais. Ficam aqui algumas delas. Espero que gostem tanto como eu gostei de estar nos locais que elas mostram.   

Faial

 

S. Jorge

 

S. Jorge

 

S. Miguel

 

S. Miguel

 

S. Miguel

 

S. Miguel

 

Para mais informações poderão aceder ao site http://www.visitazores.com/pt-pt

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Comentário de Rita S em 6 Setembro 2012 às 12:46

Sinceramente não sei a altura melhor para visitar os Açores sem ser no Verão uma vez que nunca coloquei essa hipótese. Sei que há meses com mais nevoeiros, como é o caso de Junho, mas regra geral o clima é sempre ameno embora com várias oscilações, inclusivé no mesmo dia. Eu tive muita sorte com o tempo, só apanhei um dia com nevoeiro e um pouquinho de chuva. De resto apanhei sempre sol e uma limpidez que me permitiu usufruir das paisagens ao máximo.

Comentário de Joana Sá Pinto em 6 Setembro 2012 às 2:22
Conheço apenas Sao Miguel mas quero muito conhecer as outras ilhas. Gostava de ir no Inverno mas tenho receio do mau tempo. Fora do verão qual é a melhor altura para visitar as ilhas?
Comentário de Anabela em 31 Agosto 2012 às 21:18
Que artigo maravilhoso e que vontade de ir aos açores. Vou partilhar
Comentário de Rita S em 29 Agosto 2012 às 15:41

Ana Pinheiro, tens de ir mesmo. Vale mesmo a pena. São ilhas lindíssimas e que nos enchem de orgulho :)

Comentário de Ana Pinheiro em 28 Agosto 2012 às 19:46

Que maravilha, Rita. Obrigado pela partilha. Os Açores ainda são para mim uma "pedra no sapato", em especial quando em ilhas do outro lado do mundo há alguém que nos diz - "Que bonito, é parecido com os Açores!". Tenho de lá ir urgentemente!!!

Comentário de Rita S em 28 Agosto 2012 às 12:17

Obrigada eu. É um prazer partilhar aquilo que nos apaixona, ainda mais sendo território português :)

Comentário de MyGuide em 28 Agosto 2012 às 12:12

Olá Rita,

Que bom! Mais um magnífico relato de viagem! Obrigado.

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