CULTURA: Tudo Acaba - o desfecho da saga de uma geração

Tinha 11 anos quando a minha mãe me comprou um livro que andava a ter uma tiragem muito grande. Era sobre um miúdo feiticeiro e as suas aventuras numa escola de magia. Chamava-se Harry Potter e a “Pedra Filosofal” era a primeira das suas grandes viagens por um mundo fantástico que a minha mãe queria que lesse aos meus irmãos antes de dormir. Conheci o mundo de Harry Potter aos 11 anos de idade, a mesma idade com que o próprio Harry conheceu o seu mundo.

Por este e por muitos outros motivos, é impossível dissocia-lo daquilo que sou, da infância que tive e dos ensinamentos que me serviram de base para muitas situações. Sim, o Harry Potter faz parte de mim!

 

Este desfecho da saga no cinema não é, de todo, o melhor dos oito filmes, não na minha opinião. É antes o peso sentimental de uma despedida inevitavelmente triste e saudosa que dá o brilho essencial a esta derradeira longa-metragem. David Yates, que realizou metade dos filmes desta saga no cinema, diz-se bastante satisfeito com o resultado final destes anos de trabalho contínuo e dedicado, sublinhando a inovação da tecnologia 3D que – e posso falar por mim mesma – dá uma vida muito especial ao filme.

Não é surpresa que um dos grandes trunfos dos filmes de Harry Potter sempre foi os efeitos especiais. Nesta segunda parte de “As Relíquias da Morte”, não é diferente. Adicionamos a tecnologia 3D e o resultado é pura e simplesmente brilhante em termos de imagem. Parabéns igualmente ao trabalho de caracterização, principalmente a do final do filme (não conto…!). Conta também com uma banda sonora belíssima, particularmente diferente das anteriores, nota-se um tom mais maduro, ideal para este grande final.

 

 

E, apesar de este ser talvez um dos filmes onde mais personagens desaparecem, não é explicitamente violento com alguns dos filmes anteriores. Há como que uma brecha de luz por entre a escuridão dos tempos negros de Lord Voldemort que, diga-se de passagem, é uma das melhores representações deste desfecho, onde o grande Ralph Fiennes acrescenta ao lado obscuro e cruel do Senhor das trevas um “quê” de comédia, por mais impossível que isso possa parecer.

Mas, apesar de todos os aficionados de Harry Potter, como eu, ficarem muito satisfeitos por se ter adiado o final anunciado desta saga, produzindo a última aventura em dois filmes, temos de admitir que não há mais sede de marketing que de tempo e espaço por detrás desta divisão de “As Relíquias da Morte” em duas partes. Para além deste não ser o maior dos sete livros da colecção, já que se dividiu u último em duas partes poderiam ter apostado na recriação de alguns detalhes interessantes da história, em vez de compactarem os factos e colorirem a história com o que – para quem leu os livros do início ao fim – parece ter sido um “vamos lá a despachar isto”.

 

 

Ainda assim pudemos assistir a fragmentos importantes e muito aguardados, como o beijo de Ron e Hermione, o destaque de algumas personagens secundárias que, finalmente, mereceram um lugar ao sol, como o destemido Neville Longbotton, ou mesmo revelação do verdadeiro tenebroso Professor Snape, outro grande trabalho de representação pelo magnífico Alan Rickman, cuja voz será sempre inconfundível!

 

 

Quanto aos três grandes lideres destas viagens, não há muito mais a acrescentar que palmas e um “até breve” sorridente que os trará com certeza de volta às grandes telas, noutros papeis que as suas promissoras carreiras irão abarcar. Mas por mais que mudem, nunca deixarão de ser carinhosamente reconhecidos como os três feiticeiros mais corajosos do mundo de Harry Potter!

 

Exibições: 96

Tags: as relíquias da morte, cinema, cultura, final, harry potter, saga

Adicione um comentário

Você tem de ser membro de MyGuide para adicionar comentários!

Entrar em MyGuide

Comentário de Marina Soares em 21 Julho 2011 às 16:42

Ah! Também ía falar no Neville, vi as imagens dele na estreia, mas senti-me um tanto ou quanto "velhota"... Um personagem que achei fabuloso, desenvolveu-se tão bem!

O Senhor dos Anéis é a minha paixão. Sempre que tenho algum trabalho urgente para fazer e não me apetece, género, estudar para os exames, arrumar o armário, decido que é mesmo boa altura para começar a ler a trilogia outra vez... E torna-se logo a prioridade. Sempre adio a coisa uma semanita ou duas, ehehe!

Mas claro, depois dos filmes, ganhou outra piada!

Comentário de Maria Claudia Rocha Ferreira em 21 Julho 2011 às 13:33

Bem Marina! Obrigada pelo comentário;)

 

Por acaso nunca consegui ler um livro do Senhor do Anéis do início ao fim, acabo sempre por me cansar um pouco... Acho demasiado obscuro, mas adoro os filmes.

 

Mas a verdade é que a imaginação da JK Rowling deiza-me totalmente rendida. Não só pela riqueza histórica e mitológica que aplica em toda a saga, mas pelo enredo em si, aquele tipo de história que é um autêntico labirinto mas que no final a saída é tão clara que não percebes como lá foste parar, até veres o labirinto de cima, por ele todo, tudo bate certo.

 

E já agora, se te der o Lucius Malfoy de prenda de Natal, das-me o Neville Longbottom? É que o miúdo cresceu e "bem"...! ;p

Comentário de Marina Soares em 21 Julho 2011 às 11:08

Eu li o primeiro volume aos 20 anos, antes sequer de se falar em filmes. Ofereceram-me uma versão original com capa de adulto! Sim, porque no Reino Unido faziam-se nessa altura livros do Harry Potter com capas discretas que não envergonhassem os adultos que lêem no metro. Tinha uma foto a preto e branco de um comboio a vapor e, se eu não soubesse, dizia que se tratava de um tratado sobre a revolução industrial, ou coisa assim...

Li o livro todo de pé atrás, sempre a achar que a autora tinha um complexozinho de Tolkien mal resolvido, e não parava de fazer comparações e resmungar com as "coincidências" descaradas: JK Rowling - JR Tolkien, Aragog - Aragorn, aranhas gigantes maléficas, árvores com personalidade, trolls das cavernas?!, gajo mau que não se pode dizer o nome... etc, etc... WTF?!

Mas a verdade é que a mulher acabou por me ganhar como fã ao fim de dois ou três livros, e outros tantos filmes. Nem sei bem porquê, mas ainda aqui estou e fui eu mesma que comprei os três volumes finais, não os ofereci à minha irmã mais nova, porque a história evoluiu de tal maneira que eu não aguentava sem saber se o Snape era bom ou mau, quem é que ía morrer, quem é que ía ganhar...

Ah! E quanto aos filmes, adoro o facto de tantos actores consagrados terem embarcado na história para nos darem personagens secundárias tão boas. ADORO O ALAN RICKMAN! E podem trazer-me o Malfoy pai de prenda de Natal, sim? Com a peruca.

 

Comentário de Maria Claudia Rocha Ferreira em 21 Julho 2011 às 1:55
Fico contente por saber que há tanta gente que se identifica com isto. Foi realmente a marca de uma geração inteira e será para sempre parte das nossas memórias de crianças e adolescentes, podendo passar de geração em geração esta magia que tanto os fez bem;)
Comentário de Maria Claudia Rocha Ferreira em 21 Julho 2011 às 1:51
Bem, eu não posso falar, porque sou suspeita...;) Mas aconselho os 7 livros do 1º ao último, sendo que até li o 3º e 4º livros duas vezes, de tão deliciosos que são. Portanto espero que gostes e quando terminares de ler pelo menos o primeiro passa por aqui para deixares a tua opinião;)
Comentário de Tânia Barreira em 21 Julho 2011 às 1:31
Revi tanto nas tuas palavras! eu também li o primeiro livro, pouco antes de sair o primeiro filme, também com 11 anos, e também este filme me acompanhou a minha infância-adolescência. e embora já saber como a história acaba, sem dúvida que quero ver este filme, e fazer a coleção de todos eles, porque sem dúvida que esta é a saga "dos meus anos", tal e qual como o Justiceiro é dos anos dos meus pais, e tantos outros, dos anos de outros! ;D
Comentário de Bruno Miguel da Rocha Saraiva em 20 Julho 2011 às 19:05

Nunca li um livro do Harry Potter (shame on me) mas acabei por ver esta saga no grande ecrã, e confesso que subestimei o pequeno feiticeiro que me deixou com curiosidade para ver o final.

Não tive a oportunidade de ver o filme em 3D mas o 2D chegou para me deixar satisfeito, e quem sabe, agora comece mesmo a ler os livros para comparar as diferenças livro/filme. 

 

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...