Bisalhães é conhecida pela tradição da olaria. As peças são procuradas pela sua beleza decorativa, e diz-se que é um barro ideal para fazer assados.
Mas o que o torna tão especial é o facto de não parecer barro. É que o vermelho habitual dá lugar a um preto brilhante…

 

 

A manhã é fria, mas bem cedo iniciamos a nossa viagem até Bisalhães. A aldeia da olaria negra, que fica situada no Concelho de Vila Real.
Seguimos por uma estrada estreita. Envolve-nos uma paisagem montanhosa, com uma mistura de verde e castanho. Está nevoeiro. É inevitável sentirmo-nos como uma formiga, no meio de uma paisagem tão grandiosa.
Começa a jornada. Vamos conhecer a história da olaria de Vila Real e aproveitar para visitar uma oficina.

 


A origem

Os primeiros documentos que registam a existência da olaria na Região de Vila Real datam do século XVIII. Ainda assim, a existência de um forno cerâmico romano próximo do local leva a crer que esta tradição seja mais antiga do que se pensava.
Hoje, os oleiros podem comprar o barro em Vila Real ou Chaves. Mas antigamente, vinha da Serra do Marão. Eram os restos de barro, aí utilizados na actividade cerâmica.

 


A cor

Mas o que torna esta tradição tão especial? As peças são de um negro brilhante, parecido ao metal. Na realidade, a matéria-prima é a usada habitualmente. O barro vermelho. A cor preta é adquirida na cosedura. O barro vai ao forno e é abafado com caruma. Em seguida, leva mais lenha por cima. É a concentração do fumo que transforma essas peças no famoso Barro Negro.
 

 

Ser oleiro

A profissão não é fácil, quer para o oleiro, quer para a sua mulher. Tradicionalmente, é a esposa que desenha as peças. É também ela quem peneira e pica o barro. Por essa razão, a olaria acaba por ser um ofício de família.

 

As peças

Existe a chamada louça “churra”, que são as peças utilitárias. Alguidares, panelas, cafeteiras. Há muito por onde escolher. Também existem as peças mais tradicionais como a bilha de rosca e dos segredos. Ainda se podem ver peças decorativas como bonecos, travessas, e mesmo presépios.

 

 

 

O Futuro

A olaria negra é, como tantas outras, uma actividade em risco. Se os jovens não se interessarem por esta arte, ela acabará por morrer. Mas a Câmara Municipal de Vila Real empenha-se no sentido de impulsionar o barro negro, através de feiras de artesanato e publicações.
Do Futuro pouco se sabe. Resta esperar que os oleiros resistentes continuem a levantar-se todas as manhãs bem cedo. Que ponham a roda à roda, e que com a sabedoria dos seus dedos transformem pedaços de barro disforme em peças de arte. Esperar que os jovens despertem para a importância das suas tradições. Talvez assim, daqui a uns anos, a olaria negra não faça apenas parte da História do nosso país.

 

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Comentário de Filipe Amorim em 27 Março 2011 às 17:25
Desconhecia este tipo de peças de barro, provenientes de barro escurecido! Muito interessante, parabéns! :D

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