O Brasil está em voga. É o progresso económico, é a primeira mulher como Presidente da República, é o Mundial de futebol de 2014, são os Jogos Olímpicos de 2016... E na grande tela não é diferente. Em 2007 o mundo conheceu uma realidade aterrorizante da cidade maravilhosa do Rio de Janeiro através de "Tropa de Elite", uma superprodução de José Padilha, que ganhou o Urso de Ouro na Alemanha no mesmo ano.

 

A longa-metragem contava a história do capitão Nascimento, um líder da BOPE que na necessidade de prestar mais atenção à família que começa a constituir, procura um recruta que o possa substituir no batalhão e que cumpra com o seu dever tal como ele mesmo sempre cumpriu. Os vilões desta história são os bandos do tráfico de drogas que dominam as maiores favelas do Rio de Janeiro.

Mas agora "o inimigo é outro"!

Depois de se divorciar da mulher e ter perdido a infância do seu único filho, o Capitão Nascimento fica refém de uma situação mediática. Após uma operação que corre menos bem, Nascimento é afastado do batalhão, sendo promovido a trabalhar no topo das operações. Só que o capitão não sabia é que naqueles escritórios civilizados e profissionais é que se encontravam os seus verdadeiros adversários. Os seus verdadeiros inimigos.

 

Numa trama excitante que conta um outro lado de uma história, já ela repleta de adrenalina, "Tropa de Elite 2" dá-nos a conhecer uma realidade assustadoramente verdadeira e próxima. A realidade da corrupção política, paralelamente à corrupção da polícia, no caso a Polícia Militar do Rio de Janeiro, juntamente com todos os meios e fins que acarretam.

As metáforas criadas à volta de certas personagens são directas e duras. Só não se diz nomes, mas é a única coisa que se manteve preservada. De resto, todos os postos e funções mais importantes dos respectivos dirigentes e personalidades mais influentes neste submundo, tudo é dito e acusado neste filme.

 

Chamo especial atenção à brilhante interpretação deAndré Mattos (acima), que brilha no papel de Fortunato, um apresentador de televisão sensacionalista com um programa que diz perseguir o crime, mas que no fundo vive dele. O exagero dos movimentos, das palavras, das brincadeiras, das críticas feitas pelo apresentador, não se afastam muito da crítica paralela da vida real. Esta e outras personagens, como o sanguinário e mercenário Russo (Sandro Rocha), do deputado Fraga (Irandhir Santos), ou, já conhecido no primeiro filme, o Fábio (Milhem Cortaz), todos são caricaturas super bem construídas do real.

A fotografia deste filme é outro grande feito. Não muito diferente do primeiro filme, esta sequela segue fielmente as mesmas qualidades técnicas que deram o sucesso a esta produção brasileira exemplar. Sem esquecer também a edição/montagem que dá um ritmo alucinante aos dois filmes, quase como que uma assinatura de autor.

 

Todo o vocabulário vulgar e corrente nos meios representativos dão um floreado especial à trama. Muitos críticos defendem que se abusa deste tipo de vocabulário para fins sensacionalistas e, por conseguinte, lucrativos. Seja ou não o objectivo, a verdade é que é uma marca que se repete em todos os filmes brasileiros do género, bem como em muitos filmes portugueses da mesma linha. O resultado é sempre positivo.

 

A acção, essa sim, é a grande estrela tanto do primeiro como do segundo filme. Toda a coreografia de ataque da BOPE, a estratégia, bem como os momentos cómicos que sobressaem de entre os momentos de maior terror, todos estes são aspectos irreverentes de um filme que marca a história do cinema brasileiro, colocando-o, como se diz mais vulgarmente, "na boca do Mundo".

 

Já para não falar do grande Wagner Moura, um verdadeiro monstro do cinema contemporâneo brasileiro. Para quem não o conhece, Wagner começou na comédia, onde era um verdadeiro marco. Mas tem vindo a provar a todos, dentro e fora do Brasil, que é bom, e ponto final. Seja na comédia, no drama, na acção, Wagner Moura é o rosto de Tropa de Elite, e leva pelos quatro cantos do Mundo uma história que todos precisamos conhecer. A cena que se segue é, na minha opinião uma das melhores do filme - acreditem, não foi fácil escolher - quando o filho adolescente do Capitão Nascimento, que é atingido por uma bala que não era para ele, está entre a vida e a morte. É quando Nascimento resolve ir tirar satisfações com um dos principais responsáveis pelo atentado.

Sem dúvida, um filme a não perder.

É obrigatório e necessário.

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Comentário de Luis Marques Cotonete em 11 Maio 2011 às 16:06
O filme é espectacular, a representação e a fotografia são do melhor e já não falo do tema que é mais do que actual. É u filme a não perder.

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