A Festa de S. Brás é uma prática de contrastes. Imagine uma festa religiosa. Acrescente um nadinha de malícia saudável do povo nortenho. Vai obter uma receita muito doce. A Gancha de Vila Real.

 

A festa de S. Brás realiza-se em Vila Real, no mês de Fevereiro. É uma festividade religiosa, em honra do santo, e que consiste basicamente numa missa.
A tradição tem origem na lenda de S. Brás, o santo das doenças da garganta. Reza a história que este salvou uma pessoa que sufocava com uma espinha, retirando-a com o seu báculo de bispo.
Assim nasceu a tradição da gancha. Trata-se de um doce, em forma de báculo, que é vendido na Festa de S. Brás.

A receita

Leva-se açúcar ao lume com um pouco de água, até fazer ponto de rebuçado. Deita-se a mistura uma pedra mármore, untada com óleo. Rapidamente une-se com os dedos, até fazer um caramelo, que dê para cortar a forma do báculo. Depois de secar, enfeita-se com papelinhos de cores. O difícil é manter a mãos a salvo de queimaduras.

 


Tradição paralela

É verdade que a Festa de S. Brás tem origem religiosa. Mas em paralelo, surgiu outra prática, de cariz popular, que “apimenta” esta tradição.
Manda a regra que o rapaz ofereça a gancha à rapariga. Essa oferta acontece em troca de algo que a rapariga lhe ofereceu antes.
É que no dia 13 de Dezembro, dia de Santa Luzia, há o costume de as raparigas oferecerem o “pito”ao rapaz. O pito é um bolo de massa churra ou folhada, recheado com doce de chila.
É fácil de imaginar as brincadeiras que surgem, em torno destas tradições que se completam. É frequente ouvir-se: “Tem de me dar a gancha, ainda outro dia me comeu o pito”.

 

Esta é uma tradição pouco conhecida, sem carácter turístico. Talvez porque os festejos se dão numa altura do ano em que existe pouco turismo.
De qualquer forma, todos os anos lá estão as banquinhas. Todas com cores diferentes. Ou vermelho, ou verde ou rosa. Mas o que interessa mesmo são as ganchas. O doce atrai os pequeninos, a malícia atrai os jovens. Para os mais velhos, é mais um presentinho que oferecem aos netos.
Agora que a festa chega ao fim, e para não fugir à tradição, o que todos querem é chupar a gancha!

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Comentário de Ana Pinheiro em 12 Abril 2011 às 12:34
A sério, Marina? Pai habilidoso! Eu tinha que comprar os pirolitos. Picava-me sempre no céu da boca com aquilo e a graça acabava em choro. Deve ter sido proibido pela ASAE, claro. Se o meu pai soubesse fazer pirolitos aconselhava-o a tentar fazer negócio com isso. Assim, tentando aproveitar uma onda revivalista. ;)
Comentário de Marina Soares em 11 Abril 2011 às 18:51

Não conhecia e gostei de conhecer! As ganchas são bem bonitas, mas parece-me açúcar a mais para mim.

O meu pai às vezes fazia uma coisa parecida, que eram os "pirolitos". Muuuuito doce! 

Comentário de Filipe Amorim em 11 Abril 2011 às 18:50
Ahah tenho de oferecer umas ganchas, mesmo que ninguém me tenha oferecido uns pitos! :-D Que tradição interessante, gostei!
Comentário de Filipe Amorim em 11 Abril 2011 às 18:47

Ahah tenho de oferecer umas ganchas, mesmo que ninguem me tenha oferecido uns pitos! :-D Que tradição interessante, gostei!

 

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