GISELA JOÃO | DISCO DE ESTREIA A 1 DE JULHO

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GISELA JOÃO | DISCO DE ESTREIA A 1 DE JULHO

NÃO TEM ALMA QUEM QUER, MAS SIM QUEM NASCEU COM ALMA...

Saber esperar é uma virtude...

... Há dois anos que Gisela João anda nas bocas do mundo, mas só agora a fadista quis lançar o seu disco de estreia. E, provavelmente por isso, as 14 músicas do álbum contam outras tantas histórias para chegar a um único denominador: a realidade, mesmo quando dói, tem de ser olhada de frente.

Apontada por Camané como a grande aposta musical para 2013, Gisela João tem pisado palcos em Lisboa, como o Centro Cultural de Belém, a discoteca Lux (primeiro como convidada de Nicolas Jaar e depois num concerto em nome próprio), o Teatro do Bairro, o clube Frágil, O Sr. Vinho, ou a tasca da Bela, em Alfama.

É, sem dúvida, um disco de fado. Mas Gisela desviou-se do óbvio: fez novos arranjos, derivou para canções populares, até atualizou a Casa da Mariquinhas com uma letra de Capicua, uma rapper do Porto. Nas histórias que Gisela canta, há amor e desilusão, mas também um olhar de rapina sobre a realidade social - não fosse o fado a narrativa musical dos tempos difíceis.

Neste disco, tudo o que pode parecer absolutamente novo é na verdade um retorno à génese do fado, à sua autenticidade maior. A forma como Gisela se entrega às palavras, como se deixa levar por elas. É um fado menos estilizado, onde a abordagem dos instrumentos foge da sonoridade barroca habitual, mas no entanto não deixa de ser um fado mais genuíno.

Para quem acredita que o fado é um exclusivo lisboeta, desengane-se: Amália foi criada no Fundão. Beatriz da Conceição, Maria da Fé, Tony de Matos e José Fontes Rocha, por exemplo, nasceram no Porto. Lucília do Carmo é de Portalegre. Gisela João é toda minhota.

Nasceu em Barcelos, conheceu o fado na rádio e começou a reproduzi-lo para a família, primeiro, para os amigos e vizinhos, depois, em concursos de talentos infantis. Mudou-se para o Porto, queria estudar design de moda.

Mas o canto foi mais forte, entrou no circuito marialva da Invicta e ali passou uns anos, acabando por desaguar na Mouraria. E foi aí que a miúda franzina, de voz rouca e poderosa, começou a mostrar ao resto do mundo aquilo que ela mesma diz, nas últimas palavras da última música do seu primeiro disco: «Não é fadista quem quer, mas sim quem nasceu fadista».

HM Música/Valentim de Carvalho Edições

Faz-me pensar nas voltas que o mundo dá. Aquela teoria de que a História se repete. Inconscientemente ou não, dou por mim a pensar nas grandes fadistas da geração dos anos sessenta e de como é que seria se ela tivesse nascido nessa altura e tivesse vivido esses tempos da canção de Lisboa. Por outro lado, dou comigo a olhar para os meus discos de vinil e dá-me uma vontade estranha de ir ouvir os primeiros registos das grandes cantoras internacionais. Como é que seriam algumas delas se cantassem o Fado? O primeiro disco da carreira de um artista é provavelmente um dos mais importantes. Ainda bem que este foi tratado com esse respeito, e com a coragem de tomar como referência este universo. Trazê-lo para o presente, a pensar no futuro, para que com isso se possa construir o início de uma grande carreira.


Senhoras e senhores, na minha e na vossa presença... Gisela João



Camané

Habituei-me a considerar o Fado um território perigoso.

Por um lado, é de Fado aquele que é, na minha opinião, o melhor disco alguma vez editado pela Valentim de Carvalho: o álbum Com Que Voz de Amália Rodrigues; por outro, é onde mais equívocos existem, porque o Fado é hoje o tipo de música que mais garantia de mercado oferece aos artistas portugueses, o que fez com que muitos sejam os que o abraçaram por razões meramente comerciais.

Além disso, ou talvez por isso, é um facto que o Fado não conhece qualquer convolução criativa relevante desde os tempos em que se calaram a Amália, o Alain Oulman e o cúmplice e editor de ambos, o Rui Valentim de Carvalho e a verdade é que, colocado perante o cânone que nos legaram, não tive motivação, ou coragem, para me envolver na gravação de qualquer disco do género e tenho olhado com enorme desconfiança, quando não desgosto, para quase tudo o que foi editado desde então.

No entanto, de há uns anos para cá, tenho vindo a alimentar a ideia que, mais cedo ou mais tarde, o Fado vai voltar a ser abanado por uma energia vital que o vai recuperar para uma geração que hoje o olha como música para vender a turistas, apenas e (quase) só um fenómeno comercial com que deixou de se identificar.

Para mim esse momento chegou no Outono passado, quando surgiu a hipótese de vir a trabalhar com a Gisela João e com o produtor Frederico Pereira. Tenho que agradecer esta oportunidade ao Helder Moutinho, que acreditou muito cedo que a Gisela João não era apenas mais uma…

Posso dizer que esperei 30 anos para editar este disco. E valeu a pena a espera.



Francisco Vasconcelos – Valentim de Carvalho Edições
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