MAAT: Um novo museu (e um impressionante miradouro)

O MAAT – Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia, continua o processo de gradual revelação ao público com uma nova inauguração: o edifício projectado pelo gabinete de arquitectura londrino Amanda Levete é aberto ao público esta quarta-feira, 5 de Outubro, coincidindo com o início da Trienal de Arquitectura (que terá uma exposição junto à Central Tejo).

O novo edifício, com a sua proposta de arquitectura orgânica lembrará, a uns, uma nave acabada de aterrar junto ao Tejo e, a outros, uma gigante onda que subiu do rio e ali petrificou. No entanto, apesar da sua estranheza e contraste com a Central Tejo, esta nova casa do MAAT encontra-se perfeitamente integrada na paisagem.

A arquitecta londrina Amanda Levete, responsável pelo projecto, falou na intenção de criar um novo espaço de convívio em Lisboa: um espaço público que tire partido da proximidade com o rio. No exterior, o objectivo já está parcialmente cumprido. O edifício, revestido a cerâmica, e tão próximo do rio, reflecte tanto a luz do sol como o seu reflexo nas águas do rio. A cobertura é acessível a qualquer transeunte, e constitui um novo miradouro na cidade, um terraço com vista para o Tejo de um lado, e Lisboa do outro. Com uma escadaria de baixos degraus que permite o acesso ao topo, a disposição é em anfiteatro, e acolherá zonas ajardinadas.

Uma vista privilegiada que, embora a poucos metros do chão, é de 360º e desafogada. A utilização deste espaço dependerá das pessoas, mas por razões de segurança o skate está posto de parte. Em desenvolvimento estão o jardim que vai unir os dois edifícios em que se divide o MAAT e a ponte que ligará o topo deste novo edifício a Belém, passando por cima da estrada e da linha de comboio.  

A circulação no exterior é intuitiva e o circuito foi desenhado para levar a duas entradas para o interior. Em qualquer uma delas se entra por cima. Na sala oval, de tecto altíssimo, pode aceder-se ao centro pela rampa ou pelas escadas. Percebe-se aqui que, além de ter sido projectado de forma orgânica e intuitiva para facilitar a circulação, os espaços deste museu tiveram em conta a missão do MAAT, a do cruzamento entre três áreas distintas – arte, arquitectura e tecnologia e o facto de que cada vez mais as intervenções artísticas incluem uma interacção entre a obra e os seus espectadores e entre o artista e o espaço. Este não se trata de um espaço de exposição ortodoxo, abre-se à possibilidade de intervenção e diálogo com os artistas, desafia-os, como demonstra a primeira obra aqui exposta. “Pynchon Park”, intervencão criada para esta inauguração pela artista francesa Dominique Gonzalez Foerster, é uma instalação em que a galeria da sala oval está coberta por uma rede e delimitada por portões automáticos. No interior deste recinto, encontram-se bolas de pilates coloridas e livros gigantes em felpo, onde os visitantes podem sentar-se. Na parede em frente à entrada da sala, um círculo de luz simula o sol e a lua, consoante a intensidade da luz, que vai variando. Uma vez dentro do parque, o visitante é obrigado a permanecer 7 minutos, após os quais os portões se abrem novamente. Durante esse tempo o visitante torna-se participante, podendo também ser observado pelos outros visitantes que se encontram no exterior do recinto noutros pontos da sala oval.

A sala principal é um longo corredor semicircular com um abertura no tecto que, consoante as obras expostas, poderá ser aberta para deixar entrar a luz, enquanto que a sala de vídeo é um pequeno e e acolhedor círculo, de entrada estreita. A circulação no espaço é fluída e os espaços contíguos não havendo uma divisão rigidamente demarcada.

Este edíficio coqueluche da Fundação EDP dividirá com a Central Tejo a programação do MAAT e é apenas mais uma fase na instalação da Fundação EDP neste local. Quando finalizado, o espaço da Fundação contará com 38 mil metros quadrados. A próxima fase é a da finalização do jardim do campus, cuja inauguração está prevista para Março do próximo ano.

Também até lá, director e equipa estarão em período de experimentação dos espaços expositivos e da programação. Para já, os dois espaços que constituem o MAAT estão prontos a receber as primeiras exposições e os primeiros visitantes. A inauguração do novo edifício, de entrada gratuita para todo o público, decorre dia 5 de Outubro, com uma extensa programação de concertos e outros eventos (que pode consultar aqui).

MAAT - Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia
Av. Brasília, Central Tejo
http://maat.pt/

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