Camilla Watson é fotógrafa e vive em Lisboa. Faz das ruas um palco, tornando a sua produção fotográfica numa instalação outdoor. Neste caso, trata-se de uma manifestação artística onde compõe fotografias de grande formato em ambientes naturais. A sua obra propicia uma relação especial com o espectador desde o momento em que é preparada. O seu atelier é pré-fabricado com plásticos negros, em pleno bairro da Mouraria, câmara escura, incubadora de ideias. Em plena praça popular. Aqui, trabalha com luz vermelha e emulsões fotográficas, à escala de 2 metros, através de um processo artesanal. As características do seu trabalho levam-na a contactar as pessoas do bairro, um carpinteiro, uma família vizinha, portas dentro da mourama. Mouraria de braços abertos. Junto dos seus interlocutores descobre fotografias antigas dos locais que pretende captar e chega a recompor ligações, antes perdidas, da alma local. Consegue transferir fotografias para a tela. Mas a tela é a pedra das casas que o tempo extenuou e a madeira das habitações não mais povoadas. A arte já não se projecta. Reencarna em paisagem urbana.
Foi aqui que iniciei a viagem proposta por Camilla: em plena Rua dos Lagares (Lisboa, Mouraria). O quarteirão dos Lagares é, actualmente, um local arqueológico onde já se realizaram escavações devido à traça encontrada de um jardim islâmico-medieval datado do séc. XV. Foi aqui que encontrei vida, passado e presente. Tudo captado e reimpresso através de uma câmara escura móvel e exibido naquele quarteirão amuralhado da Mouraria.
Para fazer chegar o seu trabalho a viajantes e amantes da Mouraria, Camilla chega a fotografar fotos de outras fotos projectando depois uma realidade multiplicada, saturada de lembranças e recordações. O seu tema-chave são as comunidades locais. As pessoas.
Passeiem pela Mouraria e passem lá para ver. E se contactarem Camilla Watson peçam-lhe um retrato, directamente impresso numa porta de madeira da vossa casa, ou num mosaico de pedra que trouxeram de uma das vossas viagens fluviais. As recordações e a arte nunca poderão ter limites, não é assim?
Camilla Watson é sócia e colaboradora da Associação Renovar a Mouraria.
http://www.camillawatsonphotography.net/
Como chegar ao quarteirão dos Lagares (percurso a pé, de carro, de metro, autocarro ou eléctrico até ao Martim Moniz):
- No Martim Moniz aconselha-se a ir a pé (única e agradável hipótese)
- Seguir para a Rua dos Cavaleiros (traseiras do Centro C. da Mouraria)
- Virar à esquerda para o Largo do Terreirinho (não se percam nas tascas típicas)
- Subam a Travessa dos Lagares
- No cimo da rua chegam à Rua dos Lagares
Exibições: 1194
Tags: Camilla Watson, Mouraria, bairro popular, escavações, exposição fotográfica, fotografia, passeios (cá dentro)
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Comentário de Isabel Duvalle em 1 Março 2011 às 3:45 Boas fotos ;)
Obrigada pela partilha..nao conhecia, mas fiquei com vonatde de ver mais!
Comentário de Maria Costa Domingues em 25 Fevereiro 2011 às 23:54
Comentário de Maria Claudia Rocha Ferreira em 25 Fevereiro 2011 às 17:22
Comentário de Cristina Brissos em 25 Fevereiro 2011 às 11:45 Caros amigos, a exposição fixa está lá, incrustada em pedras e tábuas dos muros do histórico quarteirão dos Lagares, contudo há uma parte significativa da sua obra que já não está exposta. Mas vale a pena ver o que resta para ficar a conhecer a sua técnica. Há uma placa na parede alusiva à sua obra (e há as obras que ficaram impressas no quarteirão).
Outra sugestão: entrem na Taverna do Poço, na Rua do Poço dos Negros, (peçam uma ginginha) e perguntem ao senhor do balcão para ver o célebre poço que servia de reservatório aos bombeiros naquela zona nos tempos idos dos nossos avós. Interessantíssimo...
Comentário de Joana Sá Pinto em 25 Fevereiro 2011 às 11:05 © 2013 Criado por Administrador MyGuide.

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