PASSEIOS (cá dentro): Regresso à Estufa Fria

Nas imediações da Estufa Fria uma senhora avisou-nos que a mesma estava fechada. Olhe que não, olhe que não!


Reabriu no final do mês de Abril, após ano e meio de encerramento para obras de reabilitação. Para alguns foi um interregno de um ano e meio. Para tantos de nós (e a culpa não é das obras!), foram uns 20 anos sem pôr os pés neste magnífico espaço verde da cidade de Lisboa. Como estão previstas mais algumas obras para melhoramentos, ainda sem data marcada, impõe-se o regresso urgente a este lugar mágico, por vezes esquecido.


No Parque Eduardo VII, mas onde exactamente?

Para os mais distraídos, os tais que percorreram este jardim quando ainda andavam de bibe, aqui ficam algumas coordenadas que desafiam a sabedoria de qualquer GPS: à esquerda de quem sobe o Parque, junto a um lago e um pouco acima do parque infantil. Encontrado o lugar, damos com uma imponente entrada munida de uma torre construída por Keil do Amaral. De acesso livre, todos os sete dias da semana, recebe-nos de braços abertos com a sua brisa fresca.

Fria ou Quente? Experimente as duas

Recebeu o nome de Estufa Fria porque, ao contrário da maioria das estufas que têm cobertura de vidro para deixar entrar o sol, esta foi construída com a preocupação de oferecer sombra às espécies que alberga. Foram precisamente as estruturas de suporte desta cobertura – um extenso ripado de madeira  – o objecto das remodelações recentes.

Com uma área de 1,5 hectares, é esta cobertura que proporciona uma temperatura adequada ao desenvolvimento de espécies originárias de países como a China, a Austrália, o México, o Peru, o Brasil, entre outras. Fetos verdes e refrescantes, camélias, brincos-de-princesa, ladeiam caminhos estreitos, aqui e acolá interrompidos por laguinhos, estátuas e pequenas grutas onde as crianças gostam de procurar esconderijos.


Ultrapassada a pequena porta de entrada na Estufa Quente acede-se a um outro éden, agora de temperatura mais elevada, cheiros mais intensos, humidade mais presente, a fazer lembrar terras distantes.

Aqui a sombra é substituída por vidros que deixam passar os raios solares e as espécies recebem nomes tropicais: Cafeeira, Mangueira, Bananeira. Espécies trazidas de outros lugares que, em boa altura, alguém decidiu plantar por aqui.


O jardineiro desconhecido, o arquitecto-pintor e o engenheiro
Reza a história que este jardim terá começado a ser plantado quando a pedreira de basalto que ocupava este espaço ficou inactiva. A cova da pedreira e a nascente de água aqui descoberta terão sido terreno fértil para albergar espécies oriundas do mundo inteiro, que aqui foram criando raízes. Em 1926, o arquitecto e pintor Raul Carapinha idealiza um projecto para transformar este espaço verde numa Estufa, que será concluída em 1930 e inaugurada oficialmente três anos depois. Na década de 40, todo o Parque Eduardo VII sofreu alterações, e com ele a Estufa e a sua entrada, para além de ter sido criado o lago e a sala de espectáculos que a ladeiam. As Estufas Quente e Doce (destinadas à exposição de plantas tropicais e equatoriais) foram acrescentadas pelo Engenheiro Pulido Garcia, em 1975.


Uma viagem no centro da cidade

Talvez mais do que nunca, entre as paredes da Estufa Fria, o visitante tem a oportunidade de fugir do caos da cidade e usufruir de cheiros, sons (ou silêncios), e claro, da beleza de espécies de plantas e de flores, que o transportam para outros lugares.

Mesmo se as espécies ainda não estão exaustivamente identificadas, se o edifício que em tempos acolheu tantos eventos continua fechado e se mais algumas pequenas infra-estruturas de apoio ainda não existem, este é um espaço sem grandes artifícios que merece ser usufruído e apreciado.


Horário: todos os dias, das 9h às 17h30
Morada: Parque Eduardo VII, São Sebastião da Pedreira, Lisboa
Tel.: 213 882 278
Entrada livre

Exibições: 3012

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Comentário de Carla Cristina Carita em 29 Fevereiro 2012 às 14:51

Voltaram a fechar por tempo indeterminado. Motivo: instabilidade da cobertura que esteve sob reparação.

Comentário de ana dias em 16 Maio 2011 às 20:47
Sem duvida um dos locais que quero visitar este ano nas minhas ferias. Obrigada pela sugestão, ana dias
Comentário de Inês M.C em 12 Maio 2011 às 0:32

ATÉ QUE ENFIM!!!!!!!

Oh Meu Deus!...Só de ver estas fotos dá-me vontade de chorar! lol É que eu estou mesmo a falar a sério! Além de ter passado os meus anos de criancinha a brincar no Parque Infantil do Parque Eduardo VII, que tinha os melhores escorregas do Mundo (MESMO!) e que é ao lado da Estufa fria, também tem aquele lago que aparece na 3ª foto, onde eu ficava horas a pensar nos "dramalhões" da vida de adolescente e a falar com amigas lol ou a comer gelados do senhor das buzinadelas, enquanto também dava pão aos patos!

Claro que também ia à Estufa Fria lol mas é que para mim a Estufa Fria é também o Parque Eduardo VII. o Jardim em si, as esplanadas, os lagos, o dar pão aos patos...enfim...UMA TARDE MUITO BEM PASSADA...que vale mesmo a pena e fiquei cheia de vontade e saudades...

Obrigada MyGuide  ;-)

Comentário de Ana Tomasi em 11 Maio 2011 às 18:00
Olha a Estufa Fria! Não vou lá há séculos! Vou tentar ir a um dia da semana.
Comentário de Nuno Miguel de Oliveira Costa em 11 Maio 2011 às 17:33
Boa sugestão para a próxima visita a Lisboa!
Comentário de MyGuide em 11 Maio 2011 às 13:38

O problema, Marina, é que para além da pedreira parece que havia também uma nascente. Foi-se a pedreira e ficou o terreno fértil para as ditas plantas e flores. Ficámos a ganhar!

No entanto, a pedreira que sugere também não ficava mal em Lisboa. ;)

Comentário de Marina Soares em 11 Maio 2011 às 13:18

Um bela sugestão! Já não vou lá há muito tempo.

Gostei de saber que havia uma pedreira de basalto no meio de Lisboa. Das pedras às flores! Acho bonito e não tão invulgar como isso. O aproveitamento de pedreiras para estufas ou jardins já não é novidade para mim. Visitei há uns tempos uma pedreira fantástica, em Menorca, que tinha no fundo um jardim de flores e ervas aromáticas.

Comentário de Maria Costa Domingues em 11 Maio 2011 às 2:46

É mesmo um lugar mágico para fugir ao caos. Vou voltar!!!

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