PASSEIOS (cá dentro):De autocaravana até às Minas do Lousal


Começo por uma confissão!
Geralmente e na maioria dos casos, as nossas viagens de autocaravana são a dois (She and Me) e mais raramente em grupo ou mesmo em companhia de mais um ou outro casal. Assim, a primeira das crónicas sobre este tema das viagens de um turista automobilista de autocaravana a fazer touring, foi precisamente a dois.

Mas esta viagem à descoberta das Minas do Lousal, no Alentejo,concelho de Grândola, foi com um grupo de cerca de uma dezena de amigos autocaravanistas do simpático Clube do CAB- Circulo de Autocaravanistas da Blog-esfera que reune agora nada mais de 22 responsáveis de web sites e blogs sobre o tema Autocaravanismo, e que pode ser visitado em

Tudo começou a uma sexta-feira, dia 8 de Maio de 2009.
Tudo terminou a um domingo, dia 10 de Maio de 2009.
E quanto custou este fim de semana?
Pois os interessados podem anotar: Esta deslocação incluiu cerca de 300km, menos de 30 litros de combustível e um gasto total aproximadamente de100 euros para duas pessoas, com duas refeições em restaurante (Grandola e Lousal)

Saímos na semovente (petit nom sintomático para designar a nossa autocaravana) do porto de partida habitual, o Alenquer Camping de Porto da Luz, Alenquer, com a equipagem costumeira, o condutor e a consorte.

Depois de um dia de trabalho de casual friday, o arranque de Alenquer tardio, só permitiu depois de abastecimento na Galp, pelas 19h começar a cruzar a Ponte das Lezírias rumo ao sul. Seguiu-se a auto-estrada até à saída para Alcácer do Sal, e a partir daqui as nacionais. A primeira paragem foi em Grândola para jantar no habitual Coutada, restaurante de referência pela qualidade e preço, em que dois viajantes podem restaurar-se por pouco mais de uma azulinha de euros, ou seja, uma vintena dos ditos

Chegamos portanto ao Lousal em penúltimo lugar relativamente à dezena dos demais autocaravanistas previamente inscritos para este passeio e reunião do já referido CAB, e foi pelo telemóvel que acertámos a informação do local exacto de estacionamento e pernoita, entretanto deslocado para a frente da Padaria do Lousal (fecha aos sábados) e antigo supermercado desactivado, onde já encontrámos as autocaravanas dos demais amigos.

A noite estava ainda a meio e assim, a pé muitos de nés, subimos até ao aglomerado urbano do Lousal para um convívio no café do pátio interior para uma cavaqueira que se foi prolongando ate ao regresso em grupo às autocaravanas, e que os mais faladores prolongaram ao que parece, até a 3ª hora da madrugada.

Dia seguinte, sábado 9 de Maio dia cheio.

Pelas seis matinais, começou o despertador rural dos galos campestres a ressoar em vários registos. Parece que um deles, o mais esganiçado e o mais insistente, seria um galo da Índia. Tentámos não lhe dar ouvidos, e resistindo, só lá para as oito e tal se preparou o café com leite, as torradas barradas com manteiga, as anotações no Moleskine, e depois o reconhecimento do terreno à luz do dia.

O local plano, é adequado ao estacionamento e pernoita em autocaravana, em chão de terra batida, e ao lado da padaria até há uma torneira de água utilizável gratuitamente. Acresce que o estacionamento estava e estará autorizado às autocaravanas, sem inaugurações, festas ou foguetes e sem placas de sinalização. Aqui fica a informação a quem por lá queira passar, e que devera ser actualizada depois de 15 de outubro de 2010, pois se prevê nessa data, a abertura a o público autocaravanista de uma estação de serviço dedicada aquele tipo de veiculos turisticos.

Pelas 10h Todo o grupo já estáva com todos perfilados no auditorium para ouvir as explicações do Sr. Manuel, antigo mineiro desempoeirado, sobre a saga da Mina do Lousal, e visionar um filme português dos anos 30 com locução de Fernando Pessa. O circuito cultural prosseguiu com a visita museológica com especial interesse pelas máquinas de ar comprimido do século XIX, e as minuciosas maquetas de madeira da exploração mineira. A manhã sem se dar por isso deslizou pelo tempo, e deste modo foi com surpresa que eram chegadas as horas de almoço, que a maioria honrou nas autocaravanas.

Depois do almoços, cada um na sua autocravana, inciou-se a reunião do grupo, que aqui não vem a propósito e de que apenas se destaca um ponto alto nos trabalhos e que foi a comunicação do autocaravanista e fotógrafo profissional Pirix (Fernando de Almeida Nunes) sobre técnicas de fotografia, sua importância nos encontros e viagens de autocaravanistas, e sua aplicação à inclusão de ilustração fotográfica nos blogues e web sites. Veja-se do autor, alguns exemplos da sua obra em:

Posteriormente deu-se caminho pedestre à segunda parte da visita cultural às minas, e que comportou uma parte interior, debaixo de telha...mas sem descer às profundezas dos poços mineiros, o visionamento com óculos de 3 dimensões de um filme animado sobre a moderna exploração mineira (do género do que se acha em curso em Neves Corvo) e um percurso exterior, junto do complexo industrial arruinado com montes de escórias, incluindo explicações técnicas sobre aproveitamento das pirites e o desenvolvimento do projecto em curso de requalificação turística, de todo o património mineiro, incluindo naturalmente a recuperação ambiental.

A jornada de estudo, turística e cultural prosseguiu depois com a visita às lojas de artesanato mineiro, com trocas de impressões com os respectivos artesãos que se achavam a laborar, e culminou com um jantar gastronómico alentejano no Armazém Central, hoje sala de restaurante, onde em mesas fartas se comeram os miolos fingidos, queijos alentejanos, favas, chouriço de porco preto, carne assada, entrecosto, além de uma sopa rica de feijão e legumes, de entrada, e com várias sobremesas finais. Vinho do Mineiro, e a finalizar licores do local, de poejo e bolota, selaram com o café a refeição e o convívio bem sucedido, como é timbre entre pessoas com os mesmos hobbies e que além disso se estimam.

Nota alta para a surpresa do início do cante Alentejano e à capela, e em geral para os cantares alentejanos que se perfizeram com um coral de antigos mineiros sentados à mesa, segundo consta, a tradição no local. Impressionante a qualidade das vozes, (duas eram de mulheres) a ausência típica de instrumentos musicais, e a inexistência de microfones, ou qualquer outra forma de amplificação das vozes, que ecoaram com facilidade em todo o restaurante,

Foi a custo que se deu por findo este capítulo. O regresso às autocaravanas e depois, na noite agardável, as conversas na soleira das ditas, nas imediações de uma imagem protectora de Sta Bárbara- patrona dos Mineiros, prolongou-se até depois da meia noite. Todos estavam de acordo que este tipo de encontros de autocaravanistas, incluindo a limitação do número de viaturas, e a inclusão de sessões de trabalho seriamente preparadas, e com o enquadramento de aspectos culturais, é uma metodologia a prosseguir e aprofundar, com a qual muito tem a ganhar o movimento autocaravanista, com o apoio dos que querem contribuir para o efectivo Desenvolvimento do Autocaravanismo em Portugal.

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