Santa Maria de Belém é uma freguesia do concelho de Lisboa, sendo a zona ocidental da cidade mais perto do mar. A monumentalidade estreitamente ligada ao período dos descobrimentos que embeleza uma zona verdejante e uma extraordinária perspectiva sobre a linha do Tejo, faz com que não pareça presunção a qualquer lusitano afirmar que há poucas zonas no mundo que reunam tamanho atractivo e riqueza em tão curta extensão, como Belém tem para nos oferecer. Ora vejamos. 

A Torre de Belém, junto ao Tejo traduz de forma implícita um forte sentimento de patriotismo, numa época que marcava o inicio da idade moderna, e Portugal se apresentava como uma das mais hegemónicas nações do mundo. As decorações do brasão de armas de Portugal, o simbolismo adjacente e as proporções harmoniosas fazem deste monumento uma das jóias do Período Manuelino. Próximo da Torre de Belém pode-se apreciar o monumento dedicado aos mortos da Guerra Civil.

O Mosteiro dos Jerónimos (cuja construção foi dedicada a Santa Maria de Belém, padroeira que acabaria por estar na origem do nome do local) é o expoente máximo da arquitectura portuguesa de Estilo Manuelino que justifica plenamente uma contemplação cuidada e demorada para que se possa apreender todo o significado do rendilhado de pedra, do simbolismo referente à navegação, das esculturas de plantas e animais exóticos e do fabuloso claustro (completo em 1544). O mosteiro é um testemunho incontornável da riqueza dos descobrimentos, representando o mais notável conjunto monástico do século XVI em Portugal e uma das principais igrejas - salão da Europa.

O Padrão dos Descobrimentos é outro monumento que celebra o acto das conquistas dos navegadores portugueses, construído em 1940 (pelo escultor Leopoldo de Almeida Bastos e pelo arquitecto Cottinelli Telmo) em jeito de homenagem aos elementos envolvidos no percurso de expansão das rotas marítimas portuguesas. A norte do monumento ribeirinho, podemos encontrar uma rosa dos ventos desenhada no chão com 50 metros de diâmetro que foi uma oferenda da África do Sul, em 1960, ano em que o padrão dos descobrimentos foi remodelado.

Belém marca a história e é rica em estórias, e uma das mais negras, remete-nos para a Igreja da Memória, um exemplar em mármore da arquitectura religiosa do século XVIII, onde aconteceu o atentado ao Rei D. José e consequentemente o suplicio causado à família dos Tavoras por causa de desconfianças infundadas pela autoria da tentativa de homicídio. O palácio dos Tavoras terá sido mesmo arrasado e no chão foi espalhado sal para que nada ali voltasse a crescer. Para além da igreja, podemos familiarizarmos-nos com o marco, num pequeno beco que ladeia a famosa fabrica dos pastéis de Belém, denominado precisamente de Beco do chão Salgado. 

Dignos de realce, não só pela arquitectura peculiar, mas também por aquilo que representam; o Palácio Nacional de Belém, actual residência oficial do presidente da república; o Palácio Nacional da Ajuda, cujo espaço funciona em grande parte como museu e onde estão instalados o Ministério da Cultura, o Instituto dos Museus e da Conservação e a Biblioteca Nacional da Ajuda; e a Capela do Restelo, outro exemplar do Estilo Manuelino, de onde se tem uma vista soberba sobre o estuário do Tejo.

No que diz respeito a exposições, podemos visitar em Belém o Museu Nacional dos Coches que inicialmente era uma escola de arte equestre, o picadeiro real do Palácio de Belém, uma obra da autoria do arquitecto Giacomo Azzolini que data de 1726, transformado em museu decorria o ano de 1905, pela mão da rainha D. Amélia. Anos mais tarde, o golpe dos Republicanos mudaria a história e o nome do edifício, que até hoje se mantém. No Museu Nacional dos Coches podemos observar exemplares fabricados em Portugal, Itália, França, Áustria e Espanha durante três séculos, da mais variada decoração e riqueza. Perto, o Museu de Arqueologia que alberga uma fantástica colecção de tesouros celtas em ouro e o Museu da Marinha onde podemos observar uma interessante colecção de maquetas de barcos e um pavilhão com embarcações autênticas do século XVIII.

Para finalizar a visita pela zona recomenda-se uma visita pelo Jardim botânico do Ultramar, junto aos Jerónimos, onde existe um enorme repositório de espécies raras, um passeio de charrete ou uma simples caminhada junto ao rio. Certamente depois de tanto exercício lhe saberá bem um delicioso Pastel de Belém. 

Mosteiro dos Jerónimos

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Comentário de Luis Marques Cotonete em 12 Fevereiro 2013 às 12:43

Pois é, Belém concentra as grandes obras do Império dos últimos 500 anos

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