VIAGENS (lá fora): À sombra do Panamá

Rumo a New York - fumar um cigarro na rua, comer qualquer coisa no famoso chinês lá do sítio (terminal?) e levantar asas para o Panamá. Viagem aérea longa e grosseiramente dispendiosa.

Lembro-me de acenar à Jamaica, e com as luzes da cidade bem acesas chegámos ao Panamá enredado por um vento tropical maravilhoso.

Cerca de 3 semanas neste país, deu-nos oportunidade para visitar numerosos lugares, desde a costa atlântica à costa do pacífico - ainda pensámos subir à Costa Rica, mas estávamos tão bem... que decidimos desfrutar este belíssimo país.

Neste pequeno argumento, tento apenas transcrever alguns sítios especiais que me ficaram gravados.

Cidade do Panamá à beira do Pacífico. Este alto centro financeiro da América Central, na sua destreza cosmopolita, rivaliza com muitos sítios afamados por esse mundo fora. O resto do país, mais humilde e acarinhado pelo calor da trama tropical, envolve-nos de cheiros, terra crua, um verde intenso, imenso, desenhando a luz entre dois mares. 

Esta pérola caribeña, espreguiçando-se literalmente da selva, é um paraíso natural com um povo que esbanja amabilidade e simpatia. A gastronomia local é das mais ricas que eu conheço - hhmmmmn que maravilha de iguarias a começar pelo Cevitche. 

Na capital, perdi-me na Cidade Velha - com um barzinho de jazz super famoso, altos músicos - nas Ruínas Antigas e pelas Docas lá do sítio, que decoram um istmo numa ponta da cidade. Esta metrópole é como os seus autocarros, espelha um sorriso e acaricia gente bem disposta, por todo o lado.

Essencial alugar um carro - embora hajam outras alternativas - de preferência um Jeep para se aventurar pelo campo - estradas e terrenos praticamente virgens (não é caro e a gasolina é dada).

Esta palmeira, foi recortada na cidade antiga em ruínas.

Primeira experiência - Parque Natural Gamboa no canal do Panamá, a caminho da cidade de Colón. Desde viajar de barco, caminhadas a pé pela selva densa (com alguns sobressaltos pequenitos - os bichos adoram conhecer portugueses), passeio de teleférico e mais caminhadas,

almoço espectacular e visitas a espaços temáticos, vimos desde macacos a jacarés, abelhas assassinas, tarântulas e jaguares mal dispostos - um dia em cheio. 

 

Outra paragem: El Valle de Antón - a cratera gigantesca de um vulcão adormecido.Parque natural com possibilidade de ir a banhos...
 Um sítio fresquinho para se passear e pernoitar com as aves. Pela manhã, o canto dos pássaros (meu caríssimo Messiaen), o cheiro das flores, frutas e... panamás.

Mais um salto rumo a  Aguadulce e Pedasí. Pelo caminho, umas iguarias de estrada (pãezinhos de carne, de queijo, etc.) e uns quantos mergulhos em sítios paradisíacos.Pedasí - vila muito engraçada onde petiscámos, fomos ao baile de rua - com muita salsa e cerveja -  e tentámos dormir.

Pela manhã um novo desafio: visita à Isla Iguana em pleno Pacífico.

Fomos respirar esta reserva natural cujos corais são famosos.

Ainda houve a promessa de ver baleias, mas...nada! As meninas devem ter tido alguma rave na noite anterior, deitaram-se tarde e não estavam para fazer má figura.

Alguns amigos vagueando, para não se fazerem notar.

Saltemos para outras paragens...

recriando o tempo para anoitecer.

Uma viagem às Tartarugas noctívagas em Isla Caña.

Revestida de enorme expectativa, esta visita não podia começar melhor. Porque estava maré vazia, o barquito que nos transportaria à reserva não podia vir buscar-nos, subindo o braço de rio até ao cais improvisado. Assim, surpreendidos e contentes, fomos nós ter com ele. Para tal, numa noite teimosamente nublada, necessitámos de atravessar a pé um infindável mangal, exigindo-nos um esforço titânico uma vez que os pés se atolavam constantemente no lodo. Haviam apenas duas ou três lanternas e os 2 guardas, que nos guiavam, apelavam para seguirmos sempre pelo meio, tentando assim evitar qualquer surpresa de um bicharoco mais atrevido (noite escura, vegetação densa sem se ver nada, possibilidade real de contracenar com um jacarezito ou coisa parecida, olha que lindo - não caio noutra igual). Como convém, fomos o caminho todo a rir espalhando alegria aos sete ventos - os bichos, ainda hoje, devem falar de nós.

Chegámos perto da 1 da manhã à ilha. Depois de a cruzar, rendemo-nos à imensidão de uma praia, ao murmúrio do mar e à beleza da vida.

Muito lentamente, as tartarugas subiam o areal para escolher o sítio certo e... desovar.

Que momento!

Explicaram-nos que enquanto desovam, ficam numa espécie de transe e podemos interagir com elas sem nenhum problema. Passámos alguns ovos pela mão - são carinhosamente moles. Há todo um ritual que a tartaruga promove e respeita e que, segundo os guias, são de uma importância extrema para as futuras crias - o local, as voltas, o tapar dos ovos, o bater na areia, etc.. Enquanto isso, as tartarugas macho espreitam na orla do mar, aguardando pelo regresso das fêmeas. Acompanhámos algumas no seu regresso feliz. 

O nosso retorno também foi feliz - a maré encheu!

Mais um salto na viagema caminho de Venado, para ficar numa estalagem simples, linda e acolhedora - só tem 4 quartos, todos virados para o mar! Aqui neste pátio, à noite, tivemos de medir forças com uma tarântula adulta que, ao que parece, dizia ter uma reserva antecipada - acabou por não dormir cá. 

Nova rodada em

Penonomé.

Cidade muito agradável com gente linda. Em alguns bairros, o casario muito típico respira poesia.

Aqui, comi a melhor salada de lagosta do mundo.

Cansados de tanto corrupio, resolvemos sair do Panamá visitandoo arquipélago San Blas na costa do Atlântico.

Ficar de papo para o ar numa ilha com 40m²

na companhia dos índios Kuna.

Descansamos aqui, ao Sol do Panamá mas havemos de voltar... à procura de outras sombras.

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Comentário de Humberto Ruaz em 16 Junho 2011 às 16:00
Tomasi: os preços por lá são muito razoáveis, embora a viagem de avião seja estupidamente cara - paguei 1.150€ pela Continental Airlines (não sei se está mais barato, hoje em dia).
Comentário de Ana Tomasi em 16 Junho 2011 às 12:26
Também quero! Que destino tão fixe! Caro?
Comentário de Rui Correia Sampaio em 15 Junho 2011 às 20:27
Excelente acompanhado p/ belas fotos.
Comentário de Humberto Ruaz em 15 Junho 2011 às 16:59
Obrigado Rui. Claro que estás a tempo - força! Abraço
Comentário de Humberto Ruaz em 15 Junho 2011 às 16:47
Ana Pinheiro: andámos sempre com vários tipos de repelentes mas...! Principalmente na ilha das tartarugas e no lado caribeño, há um mosquito super parvo - a chitra - chato comó caraças, que não há repelente que resista. Não se vêem e picam como agulhas - tens de andar tapada. Quanto aos outros bichos? É conviver!
Comentário de Teresa Manzoni em 15 Junho 2011 às 14:50

Bem:) Adorável viagem com história deliciosamente contada e encantada!!!

E que bem ilustrada em cada momento, feliz, conto muito feliz.

Ora aqui está um belo princípio de livro de viagens. E como sei que já viajaste por muitos outros recantos do mundo, que tal uma incursão ao Egipto para a próxima crónica de viagem? Ansiosamente à espera:)

Comentário de Milene Cabral em 15 Junho 2011 às 12:32

Humberto, adorei. desde que fui à Costa Rica que fiquei deslumbrada com viagens mais de incursão pela natureza...e, fiquei sempre com vontade de ir ao Panamá e também à Nicarágua.  Sem dúvida, que é um destino a ir e depois de ter revivido este ambiente tropical com o meu artigo sobre Rara Avis, o teu sobre o Panamá foi a cereja no topo do bolo!!!

Gracias!

 

Comentário de Marina Soares em 15 Junho 2011 às 12:08

Ai caramba,  que ainda agora saí de uma e já me convenceste a começar a poupar para outra. Que ma-ra-vi-lha!!!

Os insectos também me assustam, sou habitalmente o prato preferido desses queridos, mas vou-me fazer forte.

Comentário de Ana Pinheiro em 15 Junho 2011 às 11:42
Mais um destino para juntar à lista dos "A Fazer" (já vai longa...). Pelos vistos, convém levar na mala um bom repelente de insectos. As tarântulas e abelhas assassinas deixar-se-ão impressionar? ;)
Comentário de Rui Mesquita em 15 Junho 2011 às 11:39

Humberto,

Deu mesmo vontade de te imitar. :)

Nas minhas viagens, confesso que primo por não fugir muito da minha "zona de conforto".

Mas ainda estou a tempo de mudar isso.

 

Ps- Devias ter começado no mês passado. Artigos com qualidade precisam-se. :)

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