Para falar de uma viagem, que não teve regresso, fecho os olhos...
É fácil sentir ainda o cheiro quente da Bahia, das águas salgadas em caldo, da paz que me invadiu e me fazia adormecer na rede horas e horas, estar o dia todo a trautear um samba calminho, estender a alma ao sol e gritar em sussurro gritinhos de felicidade. Saber que tocar e respirar aquele ar e àguas e sol e magia contagiante, era uma bênção! Fiquei lá!
Na bagagem trouxe, o leve excesso peso de uma aura nova, de uma mulher diferente, de experiências que não esquecerei e fazem hoje, a razão de viver e voltar aquele lugar.
Apesar de uma infernal viagem de avião, a companhia perfeita aterrou na terra do samba, do axé, das baianas, da lambada, dos espíritos libertinos e sorrisos diferentes. Lá riamos com alma de gente inteira!
Fechar os olhos e ver o quanto fomos acarinhadas por aquelas gentes, que diziam que as ‘portuguezinhas loiras’ eram diferentes de todo o Portugal que ali passou.
Encontramos um menino negro que estava acompanhado de um punhado de meninos, mas aquele menino era ‘o’ menino. Sabido ele. Sentou-se connosco na toalha depois de uma refeição de caranguejos e outras especiarias da terra. Chorou tanto quando lhe disse que lhe dava uns reais para comprar livros. Ele contou que lá tudo era 'pechincha' para turista. Mas para aquele povão pobre e numeroso, comprar caderninhos pautados, lisos ou quadiculados, era luxo! O Lula tinha tirado esse privilégio, do material escolar básico ser gratuito. Lula num repan se transformou em polvo!
Em troca ele, o menino, dançou connosco. Eu em troca jurei que voltava para saber se ele já era Engenheiro Mecânico. Preferiu ser ele a encontrar-me em Portugal para me mostrar o diploma!


Ali foi descoberto o Brasil em séculos distantes. Em Cabrália se fez um Porto Seguro.
No outro lado da balsa, estava o nosso destino, as nossas praias, a nossa cara. A minha paz! Arraial ti amo, negão! Nós redescobrimos tudo aquilo, tal como redescobrimos nós próprias! Viemos diferentes. Viemos uma só nas nossas pluralidades. Este texto é dedicado exclusivamente a duas amigas, que renasceram comigo, novas mulheres. One perfect trip. E tanto ainda por dizer. Fecho os olhos e ainda estou lá!

São instintos. Quando ficava mais saudosa, surgiu alguém que me envia um som da Bahia. Instintivamente sorri por imediato. Ah! Aqueles dias que passava a dançar, porque havia sempre música no ar, mesmo quando não havia, fazíamos nós o ‘batuque di samba’ em qualquer mesinha à mão e requebrávamos muito! Era a felicidade minha gente. Era tudo de bom!
Eu sei que fiquei lá, até já vos disse isso mais do que uma vez. Mesmo não havendo sol por cá sinto ainda sinto o sol de lá.
A chuva que cai, lembra-me os pequenos pingos quentes que apanhei quando me espojava ao calor de uma terra abençoada. Lembro-me do suco que bebia enquanto ‘bailaricava’, do calor que saia de mim, das mini-saias baianas, das caipifruta de mão. Lembro-me do céu côncavo azul pálido e do horizonte onde me perdi e me achei. Mais do que tudo, mais do que nunca, mais do que sempre, senti-me bem! Free, tão free, muita paz nesta cabeça, mais amor no coração! E nesse REGGAE eu vou!!!

Fico mais perto, a cantar:

O brilho de amor chegou na ilha inteira
E a lua que trás o amor é a lua cheia
O grito de dor que vem
Do peito de quem amou alguém
O reggae mi trás saudades
De quem me beijou e agora tá tão distante em outra ilha
O amor mi chamou de flor e disse que eu era o amor de alguém, para a vida inteira

Como se eu fosse flor
você mi cheira
Como se fosse flor
você mi rega
Porque morrer de amor é brincadeira

Cantei morrendo de saudades! Cantei aquilo que sinto! Cantei a minha paz. Cantei sentimentos que me transportaram de novo para lá, sem ter que viajar mais nove horas! Cantei liberta. Cantei desperta. E a cantar voltarei.

Erica


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Comentário de Erica Sousa Antunes em 25 Fevereiro 2011 às 17:57
seja bem-vindo a conversa :))
Comentário de Luis Marques Cotonete em 25 Fevereiro 2011 às 15:49
Vou-me meter na conversa. Brasil enquanto for genuíno nunca será clichet. Quanto à cidade S.S Bahia, para nós é um museu vivo. Desde as igrejas, que não são poucas, aos conventos, palácios e fortes, tudo é história. Agora, as gentes da terra são gentis e dadas como só o baiano sabe ser. É fácil apaixonarmo-nos.
Comentário de Erica Sousa Antunes em 25 Fevereiro 2011 às 12:44

é vdd mas eu n senti o ritmo ou talvez o mmm ritmo no rio! estou de olhos postos numa 3ªviagem mas para angra rio frio etc etc. braseil é muito bom! e nunca será cliché :)))

Comentário de Pedro Castanheira em 24 Fevereiro 2011 às 19:04
UÉ...que calor... Cheira a Brasil. Pois é, eu também gosto. Não conheço a Bahia e no nordeste conheço Natal que não gosto e Pipa assim assim. Conheço o Rio e o sul de S. Paulo e ambos são um espectáculo. Agora quanto ao ritmo o samba é igual no norte ou no sul, a sensualidade, o calor e a alegria é contagiante. Pois é...também quero.

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