VIAGENS (lá fora): Gredos - À Conquista da Laguna Grande e dos Galayos

Sempre tive aquela ideia de que, quando queríamos neve, e na ausência de clima que a proporcionasse, sobrava a tradicional ida à Serra da Estrela, de saco plástico na mão, ou em alternativa o forfait na Serra Nevada.

Não podia estar mais errado. Existe outra Serra. Fica situada a cerca de 100 quilómetros de Vilar Formoso. É bela, de fácil acesso, e ainda selvagem quanto baste, para que não nos cruzemos com a comunidade forfait da zona. A Serra de Gredos.

Situada no extremo Sul da província de Ávila, constitui um dos mais bem preservados sistemas montanhosos da Península Ibérica.

Tínhamos decidido ir de carro com o Rogério e a Rute, eles já habituados a andanças em Ordesa, o Monte Perdido, (Está na lista de to do), e nós ainda a estranharmos não ir com o saco plástico da praxe.

É bastante simples lá chegar. Depois de Vilar Formoso, seguimos em direcção a Ciudad Rodrigo pela N-620, tomando depois a C-515 em direcção a Béjar. A partir desta cidade, através da C-500, chegamos rapidamente à vertente norte da Serra.

Aquilo a que nos propunhamos no primeiro dia fazer era a "Senda de la Laguna Grande", desde a plataforma de Gredos até ao refúgio Elola, a 2000 metros de altura.

É um percurso de dificuldade média com cerca de 15 quilómetros ida e volta e com uma duração de 6 horas.

Depois de preparado o equipamento fizemo-nos à estrada, ou melhor, à neve.

Não existe foto que demonstre a experiência de caminhar quilómetros, ficar com algum receio de escorregar e não parar, de brincar aos tiroleses e provocar uma avalanche, de parar para almoçar e ter as cabras montesas ao lado a invejarem-nos a sandocha.

Quando o vento se levanta e parece querer nevar a qualquer momento, o passo estuga-se e entramos em modo caminheiro de montanha.

Eis que avistamos o refúgio e nos apercebemos que estamos em cima de um lago glaciar congelado. Dá para simular o Moonwalk do Michael Jackson, mas com respeitinho porque vemos demasiados filmes de Hollywood com o gelo a quebrar.

Galayos

Depois de um merecido e retemperador jantar e de uma noite de sono em que devo ter demorado uns bons 28 segundos a adormecer, o Sol decidiu que nos ia fazer companhia na "senda do Carril De Los Galayos". E fê-lo durante parte do caminho. Mas deve ter-se cansado porque nos deixou ao nosso destino ao fim de algum tempo, algo que agradecemos porque eram 3 horas sempre a subir, e o calor sempre presente na subida não é a melhor das companhias.

Tínhamos como ponto de partida a plataforma Nogal del Barranco no lado Norte da Serra de Gredos. Novamente tendo como destino um refúgio de Montanha, neste caso o Antonio Victory, a cerca de 2000 metros de altura.

Já nos tinham avisado para a beleza dos Galayos, e não é para menos: eles são o símbolo da federação de alpinismo espanhola e é em Gredos que se fazem treinos para as escaladas dos Himalaias.

Quando a companhia é boa, as palavras de incentivo e o espírito do xerpa que existe em cada um de nós, ajudam sempre a arrebanhar caminho.

Sempre que possível tentávamos imortalizar a natureza no seu estado puro.

Eis que se consegue avistar a zona do refúgio ao fim de quase 3 horas em subida permanente. Serve como plataforma base para os alpinistas, profissionais deste "ramo", treinarem as escaladas para os Himalaias, por isso ao contrário doElola , é desprovido de qualquer conforto extra para além da protecção que as suas paredes nos dão dos 3 graus negativos que se faziam sentir.

Com o cansaço que as pernas sentiam e com a bela da sandocha para apaziguar o estômago rezinga, soube melhor do que se de um Ritz se tratasse.

Se bem que os dias maiores e mais quentes, já só nos fazem pensar na Primavera, vale a pena, esta Páscoa, dar um saltinho aqui ao lado, mesmo que a neve já se tenha derretido.

Nota: Artigo publicado em 2011 e novamente destacado em janeiro de 2015.

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Comentário de Pedro Castanheira em 22 Janeiro 2015 às 12:08

Sim já me tinham falados desta serra (Serra de Gredos) e das uas potencialidades. Inesplicavelmente, talvez por cada vez que saio para a serra, saio em grupo e as ideias estão sempre pré definidas e nunca ninguém se lembrou de tal hipótese. No entanto o bichinho já se instalou para sair na próxima oportunidade. Gracias

Comentário de Helena Guerreiro em 30 Junho 2011 às 17:19

Nunca fui além da experiência com os sacos plásticos :)

Não seria capaz de me meter numa destas, mas deve ser maravilhoso andar assim no meio da neve.

Grande artigo.

Comentário de Carlos Fernandes em 30 Junho 2011 às 12:33

Não sabia que eras assim tão adepto destas andanças. Muito fixe.

Mas deve ter que haver o minimo de preparação antes nos metermos numa destas, mas deve valer bem a pena. :)

Comentário de Filipe Mendes em 30 Junho 2011 às 12:00

Isto foi sem usar as botas com picos? Não era perigoso?

Grande experiência!

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