Viagens (lá fora): Sicília, parte 2: Arquimedes em pelota e as romanas de bikini

Ora então, onde é nós íamos? Já me lembro! A fugir vergonhosamente de um vulcãozinho irritado.

Apanhámos a auto-estrada a caminho de Catânia e tivemos a nossa primeira experiência de quase-morte. Umas 6 faixas de trânsito lento e outras tantas variedades de sicilianos loucos. Se éramos obrigados a abrandar, buzinadela, se tentavamos mudar de faixa, buzinadela, se nos atrevíamos a ripostar, que o sangue latino também nos corre nas veias, buzinadela... de modo que ficámos mudos e quedos, a suar por todos os lados, de olhos baixos, a fazer-nos pequeninos! Livra! Para esquecer...


Nota 10 a Noto
Foi um alivio percorrer a calma estrada secundária que nos levou à cidade barroca de Noto.

Construída quase toda de uma assentada no século XVII, devido a enorme destruição causada pelo terramoto de 1693, Noto é o expoente máximo da planificação urbana tardo-barroca e um museu vivo de arquitectura desse período. Extraordinariamente resistente aos séculos e aos safanões que o Etna lhe vai vai dando (a cúpula da catedral tinha sofrido uma derrocada quando por lá passámos), é uma cidade pequena, muito agradável e sossegada. Esta cidade que e patromonio da Unesco convida a passeios pelas piazzas ao cair da tarde, quando o amarelado calcário da região com que toda a cidade foi construída, se tinge de doces tons de mel.

Transformámo-la, e ao B&B do signore Julio, na nossa base (nada de especial, os nossos aposentos, mas centrais e sossegados, íamos a pé para todo o lado).

 

Eureka, achei!
De Noto é um instantinho até Siracusa, a famosa terra de Arquimedes. Foi nesta belíssima cidade que o genial matemático grego (Siracusa era uma cidade grega até a invasão romana de 287 a.c) saíu do banho para a rua, em pelota, a gritar "Eureka!" Estava a comemorar a descoberta da Lei da Hidroestática que ficaria conhecida como o príncipio de Arquimedes.

Nós comemorámos a chegada a Siracusa com um gelatto na ilha de Ortigia. Atravessa-se uma ponte e a cidade transforma-se. Becos e ruelas, relances de mar azul ao fundo, igrejas e palácios na mesma pedra amarela de Noto, uma fonte de água doce junto ao porto, onde crescem papiros trazidos do Egipto, e em todo o lado a mesma luz alegre mediterrânica.

Em Siracusa impõe-se uma visita às ruínas da cidade grega. Já sabem que adoro ruínas, mas acreditem que estas valem a pena. O teatro é uma coisa do outro mundo, a acústica perfeita como há quase 24 séculos, a arena, enorme.

Existe um complexo de grutas onde se alojavam os escravos e, claro, o fabuloso Orechio de Dionisio. Esta enorme fenda na parede rochosa tem um poderoso eco, que transforma instantaneamente todos os turistas em Pavarottis, tal a amplificação do som. Uma experiência divertida no mínimo. Afastem-se de potenciais Papagenos, podem danificar-vos os tímpanos!

 

A inevitável banhoca
Ainda com base em Noto, explorámos a costa e descobrimos algumas praias semi-desertas perto da reserva natural de Vendicari. Parecia mentira. Não tinham nomes, e muito provavelmente não somos capazes de voltar a dar com a maior parte delas, mas fica a foto da mais interessante. Areia amarela, mar perfeito.

Apenas uma, Fontane Bianche, conservou o seu nome para a história desta viagem, porque vinha no mapa... Podemos andar, e andar mar adentro com agua pelo joelho. Nada mau para quem gosta do género.


Mosaicos romanos em bikini

Antes de rumarmos a Taormina para devolvermos o nosso carro, fizemos um desvio para o interior da ilha. O destino era Piazza Armerina, uma cidade sem grande piada que alberga, nos arredores, a mais bem conservada villa romana de que há registo. Patrimonio da Unesco, a Villa de Casalle, foi em tempos moradia de romanos muito ricos e possui os melhores mosaicos do Imperio. Imaginem, numa casa particular! Estao a ver Conimbriga? Esqueçam...

Os mosaicos são alusivos à função da divisão onde se situam. Nos tricliniums, ou salas de jantar, temos cenas de caça e, surpresa, na palestra, ou ginasio, atletas femininaas exercitam-se... de bikini! Quem diria que as romanas já faziam aeróbica? E que já conheciam o soutien? Muito educativo. E que belos abdominais.

E pronto. A nossa aventura siciliana chegou ao fim, por enquanto. Com ainda duas das suas três costas por explorar, a Sicília é um destino a que vamos tentar voltar, e voltar, e voltar.

 

(parte deste artigo foi escrito num teclado ingles e sera corrigido em breve. Atá lá não se riam muito com a falta de acentos)

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Comentário de Helena Guerreiro em 30 Junho 2011 às 17:30

É a continuação de um grande, grande artigo. 

Já apontei como destino!

Comentário de Gil Ferreira em 30 Junho 2011 às 14:25

Adoro ruinas romanas. :) Deve ser dos filmes.

Grande artigo.

Comentário de Carlos Fernandes em 30 Junho 2011 às 12:25

Muita cultura e praias com fartura. Já chegava.

Só é pena ser na terra dos mafiosos. :)

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