VIAGENS (lá fora): Sicília, parte 1 – do monte Tauro ao Etna

O Expresso da meia-noite

Esta história começa com um momento de pânico: como fomos confundir a estação de “Campo di Marte” com a de“Santa Maria Novella”? Atravessámos meia Florença a correr de mochila às costas e lá conseguimos apanhar o comboio expresso nocturno para a Sicília, mesmo ao soar do apito. As más notícias? Quando os italianos dizem nocturno, não estão a brincar, querem-nos mesmo deitadinhos e quietos: o comboio só tinha carruagens decouchettes!

Transpirados, tontos de adrenalina, fomos empurrados pelo revisor para um cubículo onde já estava uma família siciliana a preparar-se para a caminha. O pai, um bigodaças com um ar convenientemente mafioso (ou seria mais alentejano?), viu-nos tão atrapalhados que abriu os braços no gesto universal “Mi casa es su casa” e deu-nos uma ajuda com os lençóis. Ocupámos as duas couchettes da esquerda, meio constragidos, enquanto o filho, a mãe e o pai faziam o mesmo nas três da direita. “Buona notte” disseram-nos, e não é que foi mesmo?

 

O Estreito de Messina

Acordámos com um sacão: o comboio tinha parado. Uma série de ruídos estranhos pôs-nos de pé. “Messina”, ouvimos o bigodaças dizer e fez-se luz:

ESTAVAM A ENFIAR O NOSSO COMBOIO NO FERRY!!!!

Subimos para o convés assim que foi possível, atravessando um estranho porão onde, estacionadas no meio dos carros, estavam algumas carruagens arrumadas por ordem conforme o destino: Palermo, Catânia…

Deleitámo-nos com o azul profundo do estreito de Messina enquanto sacávamos do “Lonely Planet” para rever o plano: Tinhamos 5 dias para explorar a costa Jónica e a nossa primeira base seria a elegante Taormina.

 

Gamberoni, Limoncello e Canolli

Taormina é a cidade mais pitoresca da Sicília, dizia o guia, e nós concordamos. Confortavelmente assente num terraço do Monte Tauro, com um olho no Golfo di Naxos e outro no poderoso Etna, é uma favorita do jet set europeu, desde os tempos em que Goethe e D.H Lawrence a integraram no seu Grand Tour.

É uma cidade mediterrânica bonita, bem conservada, com um ambiente de férias temperado com história e sofisticação. Feita para andar a pé, meter o nariz em todos os quelhos e inspirar fundo aquele ar com cheiro a bungavília.

Descobrimos o caminho até ao Youth Hostel Ulisse, a 15 minutos do centro mas com uma vista maravilhosa sobre o mar e muito boa onda, e fomos almoçar.

A chuvinha irritante que tinha começado a cair à nossa chegada, deu-nos tréguas e permitiu um almoço no Ristorante Anfora, especialidade, pesce e cucina típica regionale. Apesar de estar situado na rua principal de Taormina, o Corso Umberto I, não era muito caro e perdemos verdadeiramente a cabeça com o minnestrone e… uns enormes camarões grelhados com salada mediterrânica a acompanhar. Salivo só de escrever a palavra: gamberoni!!

A tarde passámo-la pela ruas e ruelas de Taormina, com uma visita ao interessantíssimo teatro grego, cujo palco tem como cenário o Etna (sempre com o seu chapéu de nuvens), o jardim vitoriano Trevelyan e algumas paragens em esplanadas pitorescas onde bebericámos o limoncello, um licor de limão típico da zona e nos enchemos de canolli(lembram-se dos bolos que os “Sopranos” estavam sempre a comer?) e bolinhos de pistáchio.

 

Isola Bela

As descobertas do dia seguinte levaram-nos mais longe. Um teleférico deixou-nos no sopé do Monte, à beira do mar, mas ir à praia tornou-se uma tarefa difícil.

O mar era apetecível mas todas as praias pertenciam a hotéis e, já em desespero, lá encontrámos um pedaço de paraíso com espaço para estender a toalha: a praia da Isola Bela. Uma praia de seixos redondos enquadrada por bungavílias, um verdadeiro postal, com uma pequena ilhota onde não faltava uma casa-castelo de sonho.

À le Grotte!” propunha um senhor num barco a remos, mas nós fizemos antes um pouco de snorkelling e depois travámos conhecimento com as alforrecas locais e o com o senhor do restaurante, que nos deu vinagre para acalmar a pele e nos informou que era capaz de chover nessa tarde. O Etna estava outra vez a concentrar muitas nuvens à volta da sua chaminé fumegante. Decidimos fazer-lhe uma visita.

 

À volta do Etna

Ah… O Monte Etna… A morada de Vulcano e maior atracção da Sicília, com aproximadamente 3350 metros de altura, é o mais alto vulcão europeu activo. Activo. Mais alguém sente arrepios na espinha ao ler isto? O cone do Etna muda de forma todos os anos, as erupções sucedem-se e é raro não estar com simpáticos vómitos de lava.

Por isso, chegamos à parte vergonhosa: tenho de admitir que somos uns fracos. Prometemos o Etna, mas ficámos com medo de derreter as solas dos ténis – literalmente – nunca lá chegámos.

Alugámos um carro e saímos de Taormina com ideias de chegar ao Rifugio Sapienza, o posto avançado do Monte Etna, o mais longe que se pode ir de carro na mítica montanha. À medida que nos aproximávamos, começámos a ficar com nervoso miudinho. Massas petrificadas de basalto negro invadiam a estrada deserta de tempos a tempos, e era tão fácil imaginá-las em estado líquido, rubras e fumegantes.

Muito cinema, dizem vocês, mas numa aldeia onde parámos para obter informações, disseram-nos que tinham acabado de passar por ali dois turistas vindos do refúgio com notícias fresquinhas. Ou antes pelo contrário. Por aqueles dias estava em plena actividade uma chaminé lateral do vulcão, não muito distante da zona onde estávamos. Deve ter sido uma coisa assim(calma que as seguintes fotos não são nossas)

O solo, perto do Rifugio Sapienza, estava bastante quente, e os dois turistas queixaram-se de não conseguir ir muito longe de ténis de borracha. Sentiam a sola a ficar pegajosa e voltaram para trás.

Olhámos para as nossas all star, voltámos a pensar em rochas derretidas e… deu-nos uns calores! Agradecemos os mapas e partimos… O Etna só à distância!

Fizemos mal, bem sei… fica para a próxima. Scusate!

(to be continued)

 

País: Itália

Língua Oficial: Italiano, mas o dialecto siciliano é o mais usado nas aldeias. Nem tentem... não vale a pena...

Como ir: De avião para Palermo a partir de Roma ou de comboio, também a partir de Roma. Uma aventura!

Onde ficar: A nossa sugestão budget: Ulisse Youth Hostel

Onde comer: Em todo o lado e de tudo! Pareceu-nos que não há comida má na Sicília. As pastas com frutos do mar são uma especialidade típica.

O que fazer: Meter o nariz em todo o lado, visitar locais arqueológicos, snorkelling, compras, subir ao monte Etna (cough, cough...)

Compras: Limoncello, canollis, limoncello e... já disse canollis?

Nota: artigo anteriormente publicado em Junho de 2011

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Comentário de Helena Guerreiro em 30 Junho 2011 às 17:24

Olha o rui de cabelo comprido :)

Fica melhor como está agora :)

Já a ilha parece ficar bem de qualquer maneira. É bellissima!

Comentário de Filipe Mendes em 30 Junho 2011 às 12:06

Sempre grandes experiências!! 

Parece ser grande destino para férias. 

Desculpa não ter comentado mais.

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