Tenho alguns, poucos, talvez muito poucos, prazeres na Vida. Verdadeiros prazeres, digo. Este é, muito provavelmente, um dos mais elevados e por certo entre aqueles que poderão, em ocasiões, ser tidos como dos mais social e politicamente correctos. Falo de música. Preciso tanto de música o quanto necessito de oxigénio para viver. O mesmo acontecerá com algumas outras coisas. Mas a música é muito do ar que respiro.

Mentiria se afirmasse que lamento não saber tocar um único instrumento. Não lamento …

 

 

 

… nem tenho a aspiração em poder vir a fazê-lo. Não sei nem mesmo tocar os tradicionais e aparentemente pouco complicados, ferrinhos. Mas tenho um respeito enorme por todos os que o conseguem fazer. Respeito-os pelas harmonias que criam. Pelos poemas que orquestram. Pelas janelas que abrem para o Mundo, para outras realidades, outros olhares, outros entendimentos e que nos oferecem através da música.

 

 

Respeito também e por demasiado todos os meus colegas editores e nunca teria a coragem ou ousadia de criticar as palavras de qualquer um. Avidamente, uns mais que outros (não sou hipócrita ), leio os artigos que tão generosamente nos trazem. As sugestões que apaixonadamente partilham com todos os que visitam o MyGuide. Mas aquilo que aqui ouso trazer é uma proposta absolutamente vergada à minha subjectividade. Algo cuja validade é tão discutível como a eterna questão do ovo e da galinha.

Aqui estão algumas das "ferramentas" que tenho utilizado para me abandonar, e explicarei mais à frente. De um modo mais simples, entenda-se, porque também o é, este como um artigo de sugestões musicais. Desde logo porque a esmagadora maioria do que aqui está presente são trabalhos editados quer no presente ano de 2011 quer no último ano de 2010. Tudo mais ou menos recente, por assim dizer.

Mesmo assumindo esta natureza, permita-me, como não me arrogo de especialista na matéria – nem em qualquer outra sejamos francos – não enfada-lo com apreciações mais ou menos técnicas acerca daquilo que ouve. Se está bem escrito, bem tocado, etc … Também não lhe irei massacrar com aquele fundado conhecimento – porque também não o tenho – característico daqueles a quem cabe apresentar-nos, a nós público, os mais recentes trabalhos deste ou aquele artista. Coisas como o ano de formação das bandas, quem são os seus elementos … enfim banalidades a meu ver. Importa sim, saber se gostamos daquilo que estamos a ouvir. O resto … o resto são vozes de burro. E nesta altura estou um pouco farto de gente que se advoga possuidor de umas quaisquer propriedades que lhes permitem pensar por mim. ( Sei que este comentário foi um pouco puxado mas perdoem-me-no )

 

 

Mas aquilo que consigo caro leitor, me proponho fazer é leva-lo durante os próximos minutos, se a sua paciência não faltar e o engenho o me permitir, a uma rápida viagem, a um rápido olhar para dentro daquilo que sou. Porque a música reflecte muito daquilo que somos e quem somos.

Entenda-o se quiser como uma proposta para uma banda sonora para ouvir durante a sua deslocação a qualquer um dos próximos locais, eventos que escolherá para nos trazer. Desde já peço-lhe perdão por esta ousadia mas entenda que quem escreve estas linhas e lhe dá a conhecer – para os que ainda não conhecem - o que aqui está em “airplay”, fá-lo por respeito a si e por amor à música.

 

 

Já percebeu o leitor que não será neste artigo o local onde encontrar maravilhosas fotografias, espelhos de não menos fantásticos espaços ou gentes. Não será também aqui o local onde encontrar aquela sugestão que como caída do céu lhe desperte a ousadia de por momentos suspender o quotidiano da vida e aventurar-se em apenas Viver. Sim Viver de modo completo. Nem que por apenas um fim de semana. Ou apenas por um par de curtas horas. Que me perdoe o leitor mas não será no meio destas linhas onde poderá encontrar tal lugar. Tal espaço. Tais gentes. Posso aconselha-lo onde o pode fazer. Aqui mesmo no MyGuide. Em outros artigos de outros colegas editores. Mas, lamentavelmente, não será aqui. Aqui, e essa é a dimensão das "minhas ferramentas" de que lhe falava há pouco, aqui trago-lhe, assumo-o e comprometo-me a cumpri-lo, outros espaços. Outras dimensões não menos notáveis. Trago-lhe música. Apenas música. Aceito não ser esta uma escolha que possa ser considerada honesta já que a escolha é pessoal. São apenas alguns dos catalizadores que tenho usado e abusado nos últimos tempos quando quero transporta-me para outros espaços que me arranquem momentaneamente ao meu quotidiano. Usos para andar num registo de "daydreaming".

Trazer-lhos aqui obedece apenas a subjectivos critérios. A minha preferência, a vontade em partilhar, a tentativa de o fazer da melhor forma possível e a admissão do modo com me ajudam a transportar-me, a abandonar-me em direcção a diferentes destinos, se quiser, mais metafísicos. Mas nem por isso menos vibrantes que uma qualquer maravilha natural.

 

 

Na tentativa de levar a cabo um “artigo musicado”, lembrei-me que num futuro não muito longínquo, assim o esperamos, será possível por exemplo aqui no MyGuide, ao lermos acerca de uma inspirador passeio numa qualquer floresta, sentirmos os aromas, ouvirmos os sons, enfim como que transpormo-nos até esse local de um modo um pouco mais que virtual. Eu, pessoalmente, acredito que esse momento chegará. Resta-nos saber se ainda por cá estaremos para podermos assistir a tudo isso. Seja como for, mesmo que já cá não estejamos – batendo na madeira três vezes – há algo, se Justiça existir então, que ninguém nos poderá tirar. Seremos sempre olhados e tidos como pioneiros. O que convenhamos já não é nada mau. Nada mau mesmo.

 

 

Não quero de forma alguma tomar muito mais do seu tempo. Sei que aquilo que acabo de fazer tem uma natureza egoísta e respeito-o demasiado para abusar da sua gentileza. Já lá vão seis novas músicas e outros tantos álbuns novos para descobrir. Se isso for de sua vontade. Antes de terminar deixo apenas mais dois pares de sugestões que, justiça seja feita, não muito recentes mas totalmente merecedoras de constar na tal banda sonora.

 

 

Parece-me chegado o momento em que devo explicar, justificar o porquê destas linhas e deste artigo.

Confesso-me grande entusiasta do artigos aqui publicados e particularmente do conceito por detrás do MyGuide mas, pessoalmente, parece-me tão importante o caminho como o destino. E muitas vezes é o caminho que nos prepara para o turbilhão de sensações, emoções e sentidos que somos alvos quando chegados. Estas são algumas das minhas preparações. São algumas das minhas companhias nesses caminhos rumo a um qualquer ponto do País. Desafio-o a deixar nota das suas.

 

 

Momento mea culpa. Foi a primeira coisa que me lembrei de pôr nesta sugestão e depois quase acabavas por ficar de fora. Ainda por cima vão estar em Portugal no próximo mês de Junho. Dia 15 de Junho, no Meco. No Super Rock. Fica ainda nota. Já confirmados Arcade Fire, The Strokes, Artic Monkeys, Portishead e Beirut. Numa palavra ... imperdível.

 

Na impossibilidade de poder agradar a gregos e troianos, resta-me a esperança de ter-lhe dado a conhecer apenas uma nova música que considere merecedora de mais e melhor atenção sua. Se assim for ... já ganhei o dia. Boas e grandes viagens e maiores experiências a todos. E claro, boas preparações ou como quem diz ... boas bandas sonoras.

Despeço-me com isto.

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Comentário de Inês M.C em 17 Abril 2011 às 20:15

Ois a todos! ;-p

Realmente...o pessoal MyGuide anda toda a dormir ou ninguém vibra com música? Aqui ninguém paga à entrada nem há consumos mínimos!... É tudo à grande, por isso dá para "postar" o que se quiser, sem juízo ou crítica....

Gostei imenso de Elliot Smith, principalmente da "Say Yes"... Uma letra que diz: "I'm in love with the world through the eyes of a girl"....oh pá...não dá para aguentar  ;-)

Às vezes sabe bem ir remexer o baú e encontrar estas pérolas musicais. Através delas vêm as memórias de momentos espectaculares que se viveram!

 

Aquilo que deixo hoje nada tem a ver com o meu baú, são apenas duas músicas que adoro...

Fica pela partilha...

 

 

 

 

 

 

Comentário de Fernando Emmes em 16 Abril 2011 às 18:42

Oi, bom fim de semana a todos,

Muito por causa das sugestões da Inês, embarquei no última par de dias, numa viagem pela “memorie lane” do meu crescimento músical. Entre os vários momentos que me assaltaram a memória há um artista e uma banda que, pessoalmente, me disseram muito nessa iniciação. A sugestão até vem mesmo a calhar porque ele tem albúm novo com edição marcada para este ano. O álbum dá pelo nome de “Ninth”, e é o nono da sua carreira a solo. Falo de Peter Murphy, ex vocalista da banda que vos falava à pouco e que me marcou muito, os Bahaus.

Queria trazer qualquer coisa de Peter Murphy mas fugindo aos já gastos “Cuts you Up” e ao albúm Deep. Por isso escolhi a próximo música. Editada vinte anos depois do fim dos Bahaus e onze anos depois do Deep. Dá pelo nome de Subway e faz parte do Alive Just to Love, de 2001.

 

 

Para prestar homenagem aos restante elementos do Bahaus e ao trabalho que desenvolveram depois de terminado esse projecto, deixo este No New Tale To Tell, do albúm Earth, Sun, Moon de 1987.

 

 

 

Não poderia terminar sem fazer constar Bahaus. Uma das mais importante bandas musicais do período pós-punk do final dos anos 70, inicio dos anos 80. Bahaus que, conseguindo cumprir um sonho de adolescente, tive a oportunidade de assistir ao vivo no Coliseu dos Recreios em Lisboa. Fica este "All We Ever Wanted", do The Sky's Gone Out de 1982.

 

 

Directamente do meu albúm de recordações.

Comentário de Fernando Emmes em 15 Abril 2011 às 16:55

Oi,

Confesso que, em termos de música e concertos, não há muita coisa que me escape. ;-) Não só por puro prazer mas também por outras razões mais profissionais mas isso fica um segredo nosso. Não posso deixar de achar curiosas as tuas ultimas selecções musicais. Não que tenha algo contra, não. Sou é um apaixonado pelas cores das quais a Vida se compõe e apresenta.

Hoje deixo-te ficar um rapaz, que infelizmente também já não está entre nós, mas do qual sempre senti uma grande proximidade. Algo mais ou menos na mesma linha das tuas últimas propostas. Não sei se o conheces, talvez sim, mas é sempre bom recorda-lo. A primeira proposta está muito ligada ao irremediável peso da existência. A outra, do mesmo “canto-autor” é uma linda declaração de amor. Vamos lá … Push play please.

 

 

 

Peço já desculpa por continuar com Elliot Smith mas a próxima faixa é totalmente merecedora. É como um raio de Sol que trespassa qualquer existência, como a dele, um pouco mais pesada.

Chama-se "Say yes" ... to Life, acresentaria eu.

 

 

PS

A "playlist" não avança sob responsabilidade ninguém mas sim de todos. Seria excelente, mesmo fugindo um pouco ao proposito do MyGuide que se verificassem mais contributos. Mesmo assim, cara Inês, tenho que concordar em absoluto contigo ... até aqui, já temos uma banda sonora que prova ser um caso sério de qualidade

Comentário de Inês M.C em 14 Abril 2011 às 17:25

Ois!

Já conhecia a 1ª e há muito que não ouvia...foi bom relembrar...

A 2ª nunca tinha ouvido e adorei, ´tou aqui a fazer uma playlist espectacular graças a ti! :-)

Quando estou um bocadinho mais pensativa ou tristonha, é bastante complicado para mim ouvir músicas que sejam muito histéricas e alegres...têm em mim exactamente o efeito contrário! Há um período em que tudo à minha volta tem de estar de acordo com aquilo que sinto, e a música é uma das coisas mais importantes para estar em harmonia com aquilo que sinto.... (Calma, não deixo de desejar o bem aos outros, ok?!)

Deixo duas sugestões....a primeira, se gostares (provavelmente conheces) também podes oferecer-te (provavelmente também sabes lol) que vem dia 25 à Aula Magna...

 

 

E.....

 

Comentário de Fernando Emmes em 14 Abril 2011 às 0:50

Oi,

Esta foi mesmo tirada o baú das memórias. Joy Division e Ian Curtis estão entre os heróis do meu adolescente despertar musical. Arghhh … há quanto tempo. Estou a ficar para lá de jovem adulto. Os cabelos brancos que lentamente me conquistam o escalpe são prova disso mesmo.

Porque se puxa o tema das memórias deixo duas coisas. A primeira é um clássico mais ou menos mesma altura que o Atmosphere, dos Joy Division, 1983.  Mortal Coil com Elizabeth Frazer, dos Coctaeu Twins ( mais outros dois heróis meus ). A outra é menos conhecida se conhecida mesmo. Trata-se de … bem já explico.

Bem, esta segunda é uma pérola. Por falar em colaborações e por falar em Elizabeth Frazer, deixo uma colaboração que ela teve com o falecido Jeff Buckley. A música, acho mesmo que nunca foi editada e foi colocada online por alguém que assistiu à gravação da mesma em estúdio antes de Buckley falecer. É algo por demais belo. Muito bom … muito bom mesmo. Revisitei esta música milhares de vezes.

Com tudo isto, esta noite reavivei uma série de ternas memórias. O poder da música. A mim faz-me viajar …e sempre a notáveis lugares e para junto de notáveis personagens que cruzaram ou cruzam a minha Vida. Espero que a todos faço o mesmo. Só tenho a dizer que … esta banda sonora está a tornar-se um caso sério de qualidade.

Comentário de Inês M.C em 13 Abril 2011 às 17:43

:-D   60´´...humm, então estamos no bom caminho ;-p

Mais uma vez, gostei imenso da tua sugestão, não conhecia.... É fixe que eu acho que a música dele tem uma tendência para ir ganhando força que dá uma sensação fixe de pica...

Deixo aqui também uma que desde manhã que não me sai da cabeça e que eu AMO de morte. Já são "old school" mas daqueles grupo intemporais, pai e influência de muitos e que eu respeito POR DEMAIS! Tenho um gosto especial por esta e não me farto dela nem por nada...Não é um vídeo oficial, mas assim recordamos alguns momentos da banda...

 

Comentário de Fernando Emmes em 12 Abril 2011 às 19:59

Inês,

Desculpa mas só para dar conta que neste artigo acabamos de ultrapassar 01h00m de banda sonora. Parabens. Bem hajam. Venham muito mais contributos. Viajemos.

Comentário de Fernando Emmes em 12 Abril 2011 às 19:48

Grande Inês,

 

Espero que estas linhas te encontrem já de regresso do teu passeio.

Deixo-te ficar outra prenda que não sei se conheces, talvez.

A faixa dá pelo nome de Boy Lilkoy e é extraída do álbum a solo de Jón Þór Birgisson"Go", o vocalista dos Sigur Ròs. Confesso-te que não sei quando chegou a Portugal – obtive-o por outras vias ;-) – de qualquer modo, é de meados do ano passado.

Quanto a Beirut, antes de mais tenho já viagem marcada para o Meco, durante Junho, para os ver. A eles e outros. Não sabia que tinham um vídeo do Nantes. O que sei é que há uns largos tempos atrás ouvi falar de ir para estúdio gravar novo álbum. Não sei se isso se confirma ou não, mas seria bom que sim.

Deixo-te então o prometido.

   

Comentário de Inês M.C em 12 Abril 2011 às 18:33

Imaginem-se a chegar a casa muita cansados, podres, derreados mesmo... Entram e nem têm quase forças para pousar as tralhas...na mesa, cadeira ou sofá...fica tudo no chão...perfeito!

Arrastam-se até ao sofá e deixam-se cair, literalmente. A única força que têm é mesmo só a de chegar ao comando e pôr a música a bombar....lol

Fechem os olhos e ouçam, mas bem alto mesmo porque esta música sabe bem é assim e começa calminha mas é daquelas que ganha força e aí aos X min e tal (sim, não vou dizer a quantos minutos porque a música é comprida e não quero que andem para a frente) dá vontade de nos levantarmos e dizer: SIM! VOU FAZER QUALQUER COISA ESPECTACULAR, VOU LEVANTAR O RABO DO SOFÁ E......O CÉU É O LIMITE...

 

Espero que gostem...

 

Comentário de Inês M.C em 11 Abril 2011 às 21:40

Oba...AMEI...mesmo!  :-D

Adorei a prenda (obrigada!) e acho que me vou oferecer a outra que sugeriste ;-)

Adoro o som, a voz dele é incrível....e quer esta como a "Fake Empire" dão-me uma sensação muito boa de preenchimento... Não sei se consigo explicar, mas há músicas que gostamos de ouvir, pelo ritmo, letra ou voz e outras que apesar de gostarmos disso tudo, a 1ª coisa que sentimos é um preenchimento, uma satisfação, um..."é isto mesmo"...e esta banda conseguiu fazer isto...

Obrigada!

 

Gosto imenso de Beirut. Adoro a que puseste. Deixo-te esta que conheces de certeza, mas que me deixa sempre muito bem e que gosto imenso....

 

 

:-)

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