Descobrir o Parque e o Palácio da Pena
O Palácio Nacional da Pena, encontra-se inserido no Parque da Pena, na Vila histórica de Sintra, sendo uma das melhores representações mundiais do romantismo arquitectónico do séc. XIX e o primeiro palácio romântico europeu.
O Palácio e o Parque foram idealizados como um todo e representam um dos conjuntos arquitectónicos mais bonitos do Mundo, o que valeu o estatuto de Património Mundial da UNESCO, em 1995 e de uma das Sete Maravilhas de Portugal, em 2007. Em 2013 passou a integrar a Rede de Residências Reais Europeias.
Durante o reinado de D. João II, no local do actual Palácio foi construída uma pequena capela sob a evocação de Nossa Senhora da Pena. Mais tarde, já sob o reinado de D. Manuel I, foi construído um convento que foi doado à Ordem de São Jerónimo. Contudo, no séc. XVIII o convento sofreu graves destruições, inicialmente com a queda de um raio, que destruiu parte da torre, da capela e sacristia, sendo estas posteriormente agravadas com o terramoto de 1755.
Já no séc.XIX, o Rei consorte Fernando II, apaixonou-se pela paisagem da Serra de Sintra bem como pelas ruínas do Convento e decidiu adquirir o local e a área envolvente. Inicialmente, D. Fernando decidiu efectuar reparações no antigo convento, remodelando todo o piso superior e substituindo as catorze celas por salas de maiores dimensões e cobrindo-as com as abóbadas que ainda hoje são possíveis ver. Mais tarde, decidiu ampliar o Palácio, com a construção de uma nova ala, o Palácio Novo, com salas ainda maiores, tendo esta obra sido dirigida pelo Barão de Eschwege.
Ao olharmos o Palácio por fora conseguimos distinguir a zona do Antigo Mosteiro, que se encontra pintado de rosa-velho e a ala do Palácio Novo, pintado de ocre, sendo ainda possível perceber uma terceira estrutura arquitectónica, constituída por caminhos de merlões e ameias, torres de vigia, um túnel de acesso e uma ponte levadiça.


Entrada Principal da Família Real
Actualmente, serve de entrada aos visitantes do Palácio, mas foi durante muito tempo a entrada da Família Real para a zona mais privada do Palácio.

Copa e Sala de Jantar
A Sala de Jantar Privada da Família Real foi em tempos o antigo refeitório dos monges jeronimitas. Esta é uma sala coberta por abóbadas de nervuras manuelinas, do séc. XVI e revestida com azulejos da Fábrica Roseira, do séc. XIX. Já o mobiliário de carvalho, encomendado em 1866, é da Casa Gaspar de Lisboa. Sobre a mesa era possível observar um magnífico centro de mesa em forma de embarcação sustentada por duas sereias, presente oferecido pelas senhoras de Paris à Rainha D. Amélia, aquando do seu casamento com o Rei D. Carlos I, em 1886. Contudo, esta peça foi temporariamente retirada, para uma intervenção de conservação e restauro.



A copa era um espaço que servia de apoio às refeições que tinham lugar na Sala de Jantar. As paredes e os tectos estão totalmente revestidos de azulejos de figura avulsa, com desenhos de estrelas verdes e vermelhas, fornecidos por Eugénio Roseira, em 1867. É ainda possível ver um armário de madeira de vinhático e de portas vidradas, do tempo de D. Fernando II, onde está guardado parte de um serviço de jantar de porcelana de Limoges, com a coroa da Casa Real. Já o serviço de porcelana da Vista Alegre, branco e verde, pode ser visto num outro armário ao fundo da sala.



Aposentos do Rei D. Carlos I
O Rei D. Carlos utilizou a antiga Sala do Capítulo do Convento Manuelino e alguns compartimentos contíguos, que teriam servido de alojamentos de criados no tempo do seu avô, o Rei D. Fernando II, para fazer os seus aposentos. Ficando assim, com aposentos mais modesto e deixando os mais nobres, do andar superior, para a sua esposa, a Rainha D. Amélia. Junto a si, ficavam os quartos do Camarista e do Particular, que acompanhavam o dia-a-dia do Rei.

- Gabinete
Sala do Capítulo, do convento jeronimita e Sala de Chá, no tempo de D. Fernando II, este espaço foi adaptado, para ser o gabinete do Rei D. Carlos I. Naquela época este espaço teria vários móveis de apoio, cadeiras, poltronas, porta-papéis e algum material de escrita, mas com o início da República, todo esse mobiliário foi dispersado.
Já no final da década de 1970, foi colocado no local um conjunto de telas que representam Ninfas e Sátiros no Parque da Pena e cuja autoria está atribuída ao Rei D. Carlos.

 - Quarto de Dormir, WC. e Casa de Banho do Rei D. Carlos
Este espaço sofreu diversas alterações ao longo dos tempos. Sabe-se que por volta de 1897, existia no local uma cama de pau-santo, dez anos depois a cama era de ferro dourado e em 1910, praticamente já não existia mobiliário. Actualmente, a cama presente no local, foi adquirida pelo Estado Português e trazida para o Palácio, em 1939.
Uma vez, que não foi possível descobrir o paradeiro do mobiliário original, optou-se por elaborar uma reconstituição do quarto com o mobiliário neoclássico existente.


Aposentos da Rainha D. Amélia
A Rainha D. Amélia habitou o piso nobre do Palácio da Pena, que em tempos terão sido os quartos do Rei D. Fernando e da Condessa d'Edla. E tal como D. Carlos, a Rainha D. Amélia tinha junto de si o Veador (secretário) e uma ou duas Damas de Companhia.

- Quarto do Veador e das Damas
No tempo de D. Fernando, o primeiro destes quartos tinha a função de Toilette da Condessa d'Edla, pois esta partilhava o Quarto Principal com o Rei. Já a segunda sala acredita-se que teria servido como Quarto de Vestir. Com a Rainha D. Amélia estas divisões foram ocupadas pelo veador António de Melo, 9º Conde da Sabugosa, e pelas damas de companhia.
No mobiliário destaca-se a cama indo-portuguesa de pau-santo, o armário de colunas torsas e a escrivaninha neo-gótica. Já no quarto da Dama de Companhia encontra-se uma cama e duas cómodas D. Maria I.

- Quarto Principal
As paredes e os tectos deste aposento possuem uma decoração mudéjar, demonstrando o interesse do rei-artista pela tradição artística islâmica. O principal destaque deste quarto vai para o conjunto mobiliário com torcidos e bilros, que com excepção da cama, são um conjunto revivalista de produção barroca de mobiliário em Portugal.



- Gabinete da Rainha
O Gabinete da Rainha D. Amélia passou por diversas configurações, cujo conhecimento acontece devido a fotografias antigas que permitem ver as várias alterações. Uma fotografia antiga de Carlos Relvas mostra o quarto com um revestimento de tecido, que aparenta ser de chita, cobrindo paredes, abóbodas, nervuras, o fogão da sala e até alguns móveis de assento. Já em uma publicação de 1905 é possível ver as paredes revestidas com um tecido ou papel de padrão semelhantes, mas as abóbadas parecem estar brancas.

Sala de Visitas
A decoração da Sala das Visitas é de 1854, do cenógrafo Paulo Pizzi e representa uma arquitectura islâmica, sob uma abóboda vegetalista.

Terraço da Rainha
Este terraço dava directamente para os aposentos da Rainha D. Amélia e aquando da ocupação desta no palácio foi construída uma estrutura metálica, que permitia suportar um toldo, durante os meses de Verão. De notar a presença do Relógio de Sol e quadrante solar, de origem portuguesa, ao qual está acoplada uma meridiana com um pequeno canhão. No mostrador é possível ver os meses do ano bem como as horas do dia.

Salas de Passagem
Estas duas salas eram utilizadas como suite abacial, quando o local era um convento. Com a adaptação a palácio esta foi transformada em um espaço de comunicação entre a estrutura antiga e as divisões do Palácio Novo.
Actualmente, é possível ver várias obras de arte fortemente ligadas ao Rei D. Fernando II. Já o mobiliário, da primeira Sala de Passagem, é o mesmo que se encontrava em 1869, onde se destaca o armário louceiro, que servia para expor a colecção de vidros do rei.

Sala de Fumo
Esta é a primeira grande sala do Palácio Novo, cujo tecto de inspiração islâmica, revela o gosto pela arte mudéjar.
O lustre neorrococó, de meados do séc. XIX, representa uma trepadeira Glória-da-Manhã com cachos e uvas. Já o mobiliário indiano só foi adquirido em 1940.

Escada das Cabaças e Sala de Entrada
Esta escadaria era o principal acesso do Palácio para todos os seus visitantes, o acesso é feito pelo piso térreo através de uma porta decorada com cabaças (símbolo do peregrino), que se encontra sob o Arco do Tritão. A escada termina na Sala de Entrada, decorada com placas de estuque com simulação do entrelaçado do vime.

Salão Nobre
Pensado para servir como Sala dos Embaixadores, cuja função era acolher recepções oficiais. Contudo, com a morte da rainha D. Maria II e consequente diminuição das obrigações de Estado de D. Fernando, o espaço foi transformado em uma Sala de Bilhar. Mais tarde, em 1865 o local foi totalmente remodelado, com o mobiliário, luminárias, artes decorativas e tudo o resto concebido em relação directa com a arquitectura. D. Fernando mandou colocar ainda em 3 das janelas parte da sua colecção de vitrais centro-europeus.

Sala dos Veados
Sala de banquetes do Palácio, terá sido concebida como uma Sala de Cavaleiros, onde se veriam expostas armas antigas, nas paredes, e vitrais heráldicos, nas janelas. A coluna central deveria representar uma árvore, em volta da qual se dispunham as cabeças dos veados.
A decoração do espaço não foi executada, mas mantém-se a mesa redonda à volta da qual os convidados tinham lugar, durante os banquetes.

Cozinha Real
Maior divisão do Palácio e onde se faziam os banquetes para servir na Sala dos Veados. Dos três fogões originais restam apenas dois. Os utensílios em cobre estão marcados com a sigla PP (Palácio da Pena) e o monograma coroado de D. Fernando II.

Capela
A capela do antigo convento de Nossa Senhora da Pena, apresenta ainda a configuração original, do séc. XVI. Aqui destaca-se o retábulo, do francês Nicolau de Chanterene, em alabastro e mármore negro e o vitral da janela neogótica, encomendado por D. Fernando a uma famosa família de construtores de vitrais de Nuremberga, os Kellner, alusivo à fundação do Convento da Pena.
D. Fernando inspirou-se no romantismo alemão, tendo como inspiração os castelos do Reino de Stolzenfels e Rheinstein, para  idealizar e construir a sua residência acastelada. Mandando também plantar o Parque da Pena, nas áreas envolventes ao Palácio, bem ao estilo dos jardins românticos, com caminhos serpenteados, pavilhões e bancos de pedra a pontuar os percursos, assim como árvores e outras plantas oriundas dos quatro cantos do mundo, tirando partido do clima húmido da Serra de Sintra e criando de raiz um parque exótico, com mais de quinhentas espécies arbóreas.

Entrada Principal
É constituída por dois edifícios de um piso único e planta rectangular, que possivelmente integravam a entrada da propriedade dos Frades Jerónimos e que reflectem o cunho romântico de D. Fernando, que os transformou a seu gosto, para as suas novas funções. Os mesmos ladeiam o portão gradeado.

Jardim da Rainha D. Amélia
Belo jardim formal, bem ao estilo francês, mandado construir pela Rainha D. Amélia, no local de uma primitiva horta do antigo Mosteiro.

Casa do Pombal
Este é um espaço de multimédia, com maquete 3D da paisagem cultural de Sintra.

Picadeiro
Patamar que se pensa que tenha servido de picadeiro para equitação dos príncipes e primeiro campo de ténis.

Nora
Edifício e cisterna, onde se encontra um engenho que permitia bombear água para abastecer as cisternas de água do Palácio da Pena.

Templo das Colunas
Este templete-mirante, localizado no Alto de Santo-António, foi construído em 1840, no local de uma antiga capela dedicada a Santo António. Este edifício decorativo, oferecido pelo pai a D. Fernando II, dá-nos acesso a uma vista privilegiada do Palácio.

Estátua do Guerreiro
Escultura de granito, da autoria de Ernesto Rusconi, de 1848, que representa um cavaleiro medieval imaginário, como parte integrante da cenografia da Pena.

Mesa da Rainha
Há diversos locais de assento revestidos a asfalto, no Parque da Pena, mandados construir por D. Fernando II, sendo este em específico um dos locais preferidos da Rainha D. Amélia.

Cruz Alta
Localizada no ponto mais alto da Serra de Sintra, a 529 metros de altitude, a Cruz Alta é uma simples cruz em pedra como troncos entrelaçados, mandada erguer por D. João III, no séc. XVI.

Alto de Santa Catarina
Miradouro com o "Trono da Rainha" talhado na rocha, era o miradouro preferido da Rainha D. Amélia.

Gruta do Monge
Local de recolha e meditação dos antigos monges Jerónimos.

Jardim das Camélias
Jardim com uma bonita colecção de Camélias, de cultivares portuguesas, produzidas durante o séc. XIX e oferecidas a D. Fernando II pelo viveirista Marques Loureiro, do Porto.

Estufa Quente
Localizada numa zona recatada, a estufa quente é acessível pelo Jardim das Camélias, entre a Fonte dos Passarinhos e a Capela "Manuelina".

Feteira da Rainha
Vale com condições climáticas especiais, composto por uma colecção de fetos arbóreos, trazidos da Austrália e Nova Zelândia.

Fonte dos Passarinhos
Pavilhão de estilo islâmico, de autoria do Barão Eschweg e construída pelo mestre João Henriques. Com paredes exteriores revestidas de azulejos vidrados, pintados com motivos mocárabes em tons de rosa e azul, executados por Vicente Roseira. Possui ainda uma cúpula esférica em alvenaria de pedra e cal, sendo encimada por um pináculo de pedra, com enfeite de crescente lunar.

Vale dos Lagos
É uma das entradas para o Parque da Pena, possuindo uma grande abertura para o exterior através de dois portões e gradeamento no muro da propriedade. É composto por cinco lagos, para onde conflui a principal linha de água do Parque e onde foram introduzidos cisnes e pequenos barcos. No centro do Lago de São Martinho, o maior lago do parque, foi construída uma pequena ilha sob a forma de torre acastelada. No séc. XX foi colocada uma lápide, que evoca o trabalho de D. Fernando II, o Rei-Artista.

Quinta da Pena
Quando D. Fernando II adquiriu a Tapada da Vigia, decidiu transformar parte dos terrenos agrícolas na Quinta da Pena, bem ao estilo de Ferme Ornée (Quinta Ornamental), criando um sistema agrícola ornamentado onde os animais e os edifícios são elementos de composição de um cenário pitoresco, prolongando-se entre o Vale dos Lagos e o Chalet da Condessa d'Edla.

- Abegoaria - Cavalariças
Edifício de apoio às actividades agrícolas e equestres, inserida na Quinta da Pena, sendo constituído por um corpo central de dois pisos e sótão, acompanhado por dois corpos de piso térreo ( estábulos e zona de viaturas de trabalho e carruagens).

Eucalyptus obliqua
Tronco de árvore comemorativa do casamento de D. Fernando II com a Condessa d'Edla, a 10 de Junho de 1869.

Estufas
Conjunto de construções cuja função é a produção de espécies vegetais para plantar no Parque. As estufas, foram ao longo dos tempos, a base do arboreto do Parque da Pena e elemento fundamental para a manutenção do parque e da sua colecção botânica.

Chalet da Condessa d'Edla
Também conhecida por Casa do Regalo, foi mandado construir por D. Fernando e pela sua segunda mulher, Elise Hensler, Condessa d'Edla, ainda antes do casamento, como local de veraneio reservado. Esta é uma construção de dois pisos, de inspiração alpina, com uma decoração ecléctica, onde se destacam as pinturas murais, os estuques, os azulejos e o uso exaustivo da cortiça.
Já no exterior existe um belo Jardim, que reúne vegetação autóctone e espécies botânicas provenientes dos quatro cantos do mundo, nomeadamente colecções de camélias, rododendros, azáleas e fetos.

Feteira da Condessa d'Edla
Primeira colecção de fetos arbóreos no Parque da Pena, iniciada por D. Fernando II.

O Parque e o Palácio da Pena foram idealizados e concretizados para serem um todo e não apenas um Palácio inserido no meio de um Parque, algo que foi realmente conseguido, tornando o local num dos lugares mais bonitos e mágicos do mundo. O que leva a que seja visitado por quase um milhão de turistas, por ano, tornando-se num dos monumentos mais visitados de Portugal. 
 

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