ONDE DORMIR: D. João VI, anfitrião perfeito em Vila Viçosa

Em fuga dos 37 graus do Verão alentejano, tínhamos chegado, largado as malas e desfalecido com um suspiro de alívio naquela cama de princesa, onde nem faltava um meio dossel florido e chocolatinhos nas almofadas.

Olhámos em volta, deliciados com os nossos aposentos (sempre quis usar esta palavra e aqui calha mesmo bem). Elegantemente confortáveis, estavam algures a meio caminho entre a casa de campo da nossa tia-avó rica e um palacete antiquado. Em todo o caso, faziam-nos sentir especiais, que é talvez a característica principal de uma estadia numa Pousada Histórica de Portugal.

Quem diria que D. João IV, que tínhamos acabado de ver, sentado na garupa do seu cavalo, no meio do Terreiro do Paço de Vila Viçosa, era um anfitrião tão bom?

Um pouco de história:

Fomos recebidos com simpatia e acompanhados até à nossa “cela”, com uma breve lição de história. Parece que, a bem da verdade, o anfitrião não era D. João IV, mas sim D. Jaime, o seu trisavô, se fiz bem as contas.

O fundador do Real Palácio de Vila Viçosa, o grande edifício cheio de janelas aí nas fotos, mandou também construir o Convento Real das Chagas de Cristo, onde nos encontrávamos, para alojar com o conforto possível, as senhoras da família de Bragança que escolhiam a vida monástica. É caso para dizer, assim também eu não me importava de ser freira!

Totalmente recuperadas, as antigas celas e oratórios das monjas foram transformados em quartos, todos diferentes, que se distribuem de forma labiríntica  em volta do claustro, ora no cimo de escadinhas discretas, ora em vãos escondidos e becos sem saída. Uma delícia explorar todos os recantos.

Parece que uma das freiras da família tinha jeito para a pintura, e alguns dos frescos que adornam as paredes são da sua autoria. Vale a pena descobri-los porque alguns são mesmo bizarros… Uma pista: As noções de anatomia que a senhora tinha, deixavam um bocado a desejar…

Por aqui e por ali

A segunda coisa que fizemos, foi explorar os jardins e a piscina, que não é muito grande e estava cheia de encalorados como nós. A verdadeira atracção daquele espaço foi a atmosfera alegre de “grande tanque de quinta”. Dondocas a apanhar sol com ar enjoado, zero, bóias a trocar de mãos, saltos ruidosos para a água e conversas de beira de piscina, muitas… Alguns de nós, leia-se, a nossa rainha da piscina dos “putos”, fez logo uma data de amigos inseparáveis.

De regresso ao quarto, o sol poente filtrava-se pelas janelas de treliça, anulando a austeridade conventual dos corredores sombrios e emprestando à pousada uma aura mediterrânica muito especial. Nesse espírito, tomámos uma bebida antes do jantar no nosso pátiozinho murado a branco, atrás das portadas de madeira que antes estavam cerradas devido ao calor.

Uma estadia nesta pousada não fica completa sem uma visita ao seu restaurante, fiel guardião de um bom número de receitas das freiras. Infelizmente não tenho fotos dos manjares que lá provei, mas recomendo vivamente até porque, não é muito mais caro que os outros bons restaurantes da área. E é tão agradável jantar com vista para as laranjeiras do claustro, com o barulho da fonte como pano de fundo.

Depois do jantar, lemos uma revista (ou comemos um chupa-chupa) nas poltronas da sala de convivío, cheia de objectos de antiquário e um belíssimo tapete de Arraiolos, linda terra mesmo ali ao lado, e planeámos os passeios do dia seguinte.

Se procuram descanso em família, boa comida e um ambiente especial, marquem já 38.78165 -7.4214 nos vossos GPS!
Convento das Chagas - Terreiro do Paço

7160-251 Vila Viçosa

(+351) 268 980 742

(+351) 268 980 747

recepcao.djoao@pousadas.pt

 

 

 

 


 


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Comentário de Sara Soares em 24 Outubro 2011 às 15:36
E fizeste questão de as transmitir ao membro mais novo da família que também se divirte a relembrar-me delas!
Comentário de Marina Soares em 24 Outubro 2011 às 10:09
Também guardo boas memórias de ti em Vila Viçosa, Sara... Ó se guardo!
Comentário de Sara Soares em 23 Outubro 2011 às 18:49

Agora que li este artigo fiquei com uma súbita vontade de regressar a Vila Viçosa, terra que já visitei há tanto tempo e de que guardo tão boas memórias!

Obrigada por me relembrares Marina :)

Comentário de Rui Miguel em 17 Outubro 2011 às 12:52
Bom, Muito Bom
Comentário de Rui Mesquita em 17 Outubro 2011 às 10:44

Uma visão fresca e deliciosa de 2 dias terrivelmente quentes. :)

Comentário de Marina Soares em 14 Outubro 2011 às 17:53

Curiosamente, achei que a cama do rei não devia ser tão boa como a minha, Sandra. Mais pequena era de certeza!

A Taverna dos Conjurados foi dos melhores restaurantes onde comi quando aqui fiquei. Fica mesmo ali a jeito, na rua em frente do Terreiro do Paço. Anda um artigo na forja...

 

Comentário de Sandra Passos em 14 Outubro 2011 às 17:46

Ir a vila viçosa, é ir ao palácio ver a cama do rei nas calmas, e depois almoçar na Taverna dos Conjurados, um dos sitios onde já comi melhor.

Obrigado por partilhares Marina.

Comentário de Joana Schmidt Costa em 14 Outubro 2011 às 16:35

Estas pousadas têm sempre um glamour especial. Já estive na do Crato e parece que somos transportados para outra época. 

Esta tem mesmo bom aspecto. :)

Obrigado por partilhares, Marina :)

Comentário de Filipe Mendes em 14 Outubro 2011 às 14:44
Só é pena as Pousadas raramente terem preços mais acessiveis, se não estava lá sempre enfiado. Ainda não estive em nenhuma que no geral não agradasse. Não conheço esta de vila viçosa, mas parece-me muito gira.
Comentário de Marina Soares em 14 Outubro 2011 às 12:07

Obrigado, João. Quando lá fores, regresso contigo.. Come-se tão bem por aqueles lados!

Joana, não eram frescos que merecessem "piscadelas" marotas! Eram bizarros, só isso. As minhas fotografias não ficaram bem, mas havia um mesmo à porta do nosso quarto, com uma senhora que trazia num pratinho um par de olhos... arrancados a algum mártir, penso eu, e notava-se bem que a freira numa tinha visto globos oculares fora das órbitas! Acho que ela nem sabia que eram globos, eheheh! Eram planos e ainda tinham pálpebras... um bocado tétrico.

Fazem-lhe falta alguns episódios do CSI para um maior rigor anatómico.

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