O Cabo Espichel é um dos locais mais notáveis da Costa Portuguesa, não só definindo o fim da zona terrestre naquele local a sul de Lisboa e o início da imensidão do mar que no horizonte tem fim, sendo também local de culto religiosos onde o Santuário de Nª Senhora do Cabo atraía romarias dos mais diversos locais, mas sendo ainda local do maior interesse do ponto de vista botânico e do ponto de vista ornitológico.  


O FAROL

Há notícias que já em 1430 a irmandade de N.S.ª do Cabo tinha instalado um farolim predecessor do actual farol.

A torre actual foi inaugurada em 1790, em 1865 era alimentado por azeite, mudando de combustível em 1886, quando a sua luz passou a ser alimentada por incandescência de vapor de petróleo e, muito mais tarde em 1926 por electricidade.

Em 1983 este farol tinha instalado um aparelho iluminante chamado de primeira ordem que emitia luz em grupos de quatro clarões brancos, em vez do antigo sistema de luz fixa. Com este novo sistema passou a ter um alcance luminoso de vinte e oito milhas náuticas (quarenta e cinco quilómetros).

A estrutura de apoio ao farol foi aumentada para os lados por volta de 1900.

Em 1947 entrou numa nova era no que diz respeito à iluminação. Foi montado um aparelho óptico aeromarítimo, que já tinha estado ao serviço do Farol do Cabo da Roca. Esta nova óptica dióptica - catadióptica chamada de quarta ordem, um modelo de grandes dimensões, apresenta trinta centímetros de distância focal, produzindo lampejos simples, agora com um alcance luminoso de quarenta e duas milhas náuticas (cerca de sessenta e sete quilómetros).

 

A FAUNA E A FLORA

Do ponto de vista ornitológico o Cabo Espichel é um importante local de passagem migratória de milhares de aves no final do Verão e início de Outono e ainda de ocorrência ocasional de espécies oriundas de paragens longínquas, factos que determinaram a criação da Zona de Protecção Especial do Cabo Espichel.

Regista-se também um número, embora reduzido, de espécies residentes, de que se destacam as aves típicas que nidificam nas zonas escarpadas, com destaque para o Falcão-peregrino.

Do ponto de vista da flora destaca-se neste local a presença de duas espécies endémicas arrabidenses, a Corriola do Espichel e o Trovisco do Espichel, plantas extremamente raras que existem apenas nos afloramentos calcários e nas arribas costeiras do cabo Espichel.

 

MARCAS DA PRÉ HISTÓRIA

Realça-se ainda no Cabo Espichel a sua componente geológica merecem referência especial as arribas de origem sedimentar formadas por múltiplas camadas diferenciadas, onde se podem encontrar vários conjuntos de pegadas de dinossauros.

 Deixo alguma informação sobre as pistas de Dinossauros deixadas há 145 milhões de anos  no monumento Natural da Pedra da Mua, que alberga pegadas de Dinossauros Saurópodes e Terópodes do Jurássico Superior, muitas ainda bem visíveis.
Conhecem-se 38 pistas de Saurópodes e duas de Terópodes. Numa das camadas há sete pistas paralelas de pequenos Saurópodes que testemunham a passagem se uma manada de herbívoros.
Atrás deste grupo sabe-se que passaram três grandes Saurópodes porque há evidências de que um dos Saurópodes pisou as pegadas dos mais pequenos.
Este é um magnífico exemplo de comportamento gregário nos Saurópodes reconhecido numa jazida europeia e o melhor testemunho conhecido entre animais tão pequenos.

 

As pegadas de Dinossauros carnívoros bípedes são as típicas marcas com três dedos (tridáctilas) que normalmente nas extremidades são pontiagudas devido às impressões das garras.
Possivelmente estas pegadas de terópodes são deixadas por Dinossauros da família dos Allosaurídeos que, provavelmente, caçavam os Saurópodes.

MONUMENTOS

 

Do ponto de vista do património construído, o Santuário de Nª Srª do Cabo e o Farol do Cabo Espichel, um de carácter religioso e outro de carácter militar, são os dois elementos determinantes de uma paisagem marcada pelo promontório e pelo mar que o circunda.

O conjunto arquitectónico do chamado Santuário de Nossa Senhora da Pedra Mua, implantado no extremo do Cabo Espichel, é sem dúvida o mais importante e característico do Concelho. Há neste precioso agregado de edificações, desde a antiga Ermida da Memória à Igreja Seiscentista, desde os corpos rústicos das "hospedeiras" ao aqueduto e à "Casa da Água", uma unidade de valores gráficos que fez esquecer a disparidade de estilos. O culto de Nossa Senhora do Cabo perde-se na bruma dos tempos e é crível que anteriormente à sua veneração - a partir do Séc. XV - o Cabo Espichel fosse centro de peregrinações.


O actual culto remonta a cerca de 1410, ano em que teria sido descoberta na extremidade de Cabo Espichel a venerada imagem de Nossa Senhora do Cabo, por dois velhos da Caparica e de Alcabideche, que em sonhos coincidentes teriam sido avisados pelo Céu. Antes de 1701 - data da construção da actual igreja - o arraial era circundado de casas para os romeiros que não obedeciam a alinhamento especial, e que se dispunham em torno do primitivo templo. A partir de 1715, a grande afluência de círios ao Cabo obrigou a que se construíssem hospedarias com sobrados e lojas.


A obra das hospedarias iniciou-se em 1715, mas só entre 1745 e 1760 foi ampliada para as dimensões actuais. A igreja actual remonta a 1701 e é da iniciativa real de D. Pedro II. Penetrando no templo através de um bom guarda-ventos de madeira do Brasil, vislumbramos a ampla e bem proporcionada nave, coberta por um tecto em madeira com uma composição a óleo que representa a Assunção da Virgem, esta é uma obra do pintor Lourenço da Cunha. Sobranceira à escarpas que afloram no extremo do Cabo Espichel, a poente da igreja e das hospedeiras, situa-se a Ermida da Memória, templinho implantado precisamente no local onde a tradição diz ter-se dado a aparição da Virgem.

 

Devido á minha paixão pelo mar, o lado romântico do local e a próximidade da rainha das praias O MECO, este é um dos muitos locais onde o prazer do reencontro com o horizonte acontece e onde as minhas objectivas eternizam o lugar. E assim deixo mais um lugar e até à próxima!!

 

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