A festa "mais castiça do Ribatejo". Assim é conhecida a Feira de Maio. Realiza-se todos os anos na Azambuja, no último fim-de-semana de Maio. É uma tradição centenária, que a cada ano que passa vai conquistando mais fãs. Sejam os amantes dos touros, da sardinha, ou apenas do convívio, este é um evento para marcar no calendário logo no início do ano!

 

A feira de Maio de 2011 realizou-se entre 26 e 30 de Maio. Na quinta-feira, depois da abertura oficial, largaram-se os primeiros touros, pelas 19 horas. O espectáculo deste dia foi a actuação do fadista Marco Rodrigues.

 

Sexta-feira, 27 de Maio


Chegamos à Vila da Azambuja e para quem a conhece, nesta altura fica muito diferente. Os carros já lá não circulam, porque o chão está coberto de terra e toda a Vila é ladeada de tronqueiras. Agora podem ver-se adultos e crianças que passeiam descontraidamente. As pessoas convivem, tomam umas bebidas... Anseiam já pelo ponto alto da noite.

São 22 horas. Ouve-se o primeiro morteiro. É sinal de que aí vem o primeiro touro. E é também altura para passar para o outro lado da tronqueira.

Outro morteiro. E mais outro... até que exista um touro por cada secção. E agora é largada até à meia noite!

Para muitos é um espectáculo de pura observação. Para outros, é o momento em que desafiam a sorte.

 

 

Termina a largada. Depois de tanta animação com os touros, começa a surgir a fome e a sede... A Câmara Municipal da Azambuja oferece vinho, pão e sardinhas a quem as queira grelhar. Por isso, ao passar nas ruas, vemos vários grelhadores.

Além disso, existem dezenas de tertúlias particulares, que abrem portas aos visitantes. Estão todas enfeitadas com os temas da terra. Os touros, os cavalos, os xailes do fado... e partilham neste dia o alimento com os visitantes. Esta partilha é uma das razões para o grande sucesso desta festa.

E entretanto a festa continua por toda a vila. É costume haver uma ou duas bandas, que vão tocando pela rua. Desta vez, fomos atrás dos Groove da Villa. E lá groove tinham eles, porque puseram muita gente a dançar...

E assim, na sexta-feira, a festa faz-se de rua em rua, de copo em copo, de bailarico em bailarico...  até ao nascer do dia.

 

 

Sábado, 28 de Maio

 

Depois da noite anterior, o despertar só se deu lá para as duas da tarde... E nestes dias de festa, é acordar, tomar um banho, comer qualquer coisa e sair de casa outra vez.

Às 18h30 ouve-se o primeiro foguete para mais uma largada. Hoje está menos gente e conseguimos encontrar um bom lugar nas tronqueiras. A chegada dos campinos com os touros e os cabrestos é um espectáculo lindo de se ver.

 

Foi possível ver os touros bem de perto. Admirar o seu porte. Observar a sua pelagem brilhante. Tal como os cavalos, são animais lindíssimos e imponentes. 

 

 

No fim da largada vamos até ao pavilhão das tasquinhas para petiscar qualquer coisa. Enquanto jantamos podemos apreciar os espectáculos de folclore, que ali vão acontecendo.

Depois, é hora de dar uma volta pelos stands que promovem os produtos da terra, e quem sabe comprar uma recordação da nossa passagem pela Azambuja.

 

Para fazer tempo até ao espectáculo desta noite, que tal dar uma volta nos carroceis? Comprar umas rifas ou visitar as habituais bancas das feiras. Para os mais pequenos, ou para aqueles que ainda não comeram sobremesa, cai sempre bem uma fartura, umas pipocas, ou um algodão doce.

 

Perto da meia noite, vamos até ao palco onde irá acontecer o concerto. Este ano a aposta foi forte, com a vinda dos Deolinda.

"Sai de casa e vem comigo para a rua, vem", cantava Ana Bacalhau. E as pessoas vieram. Para ver o grupo que põe todos a bater o pé. Porque é a nossa vida que perde, se não sairmos de casa para ver as tradições acontecerem.

Entre animação e fon fon fons, o espectáculo foi chegando ao fim. O momento mais especial foi, sem dúvida, quando se cantou "Parva que Sou". E digo que se cantou porque todos cantámos a acompanhar os Deolinda. Logo a seguir, e para terminar em beleza, "Movimento Perpétuo Associativo". E assim terminou o concerto, com uma mensagem de optimismo.

 

 

Agora é tempo para mais uma prova de coragem... com a mesa da tortura.  Na Praça do Município  juntam-se umas mesas e cadeiras. Os destemidos que se inscrevem ficam sentados, como se estivessem numa esplanada. A parte engraçada é quando soltam uma vaca dentro do recinto.O vencedor é aquele que conseguir permanecer mais tempo sentado.

 

A festa só termina no dia 30 de Maio, mas infelizmente não foi possível acompanha-la até ao seu final. Mais largadas  e espectáculos equestres irão marcar esta festa. Para terminar, o fogo de artifício, que irá acontecer às 24h00 do dia de hoje.

Esta festa é vivida intensamente pelas pessoas da terra. E a cada ano que passa vai conquistando também aqueles que vêm de fora.

 

Depois de vários dias em constante animação, chegamos a casa completamente cansados. A roupa e os sapatos estão cheios de terra... e até o cabelo (mesmo depois de alguns banhos). Mas vale mesmo a pena. Pode dizer-se que é uma festa que se "entranha" em nós. Para o ano, lá estarei outra vez, na "festa mais castiça do Ribatejo". Venha também, e de certeza que irá voltar!


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Comentário de Ana Raquel Freire Barreiros em 31 Maio 2011 às 17:19
Muito obrigada Maria. Ainda bem que gostou! A feira de Maio é um evento que já não posso perder. É um espelho da alma Ribatejana e das suas pessoas.
Comentário de Maria Silva em 31 Maio 2011 às 16:16
Oi, sou uma ribatejana de gema. Adorei a reportagem. As fotografias do "touro" estão esplêndidas, mostram bem a Nobreza e a Raça daquele animal. Viva a Alma Ribatejana, OLÉ!
Comentário de Ana Raquel Freire Barreiros em 31 Maio 2011 às 11:52
Obrigada! Tive sorte, também não me aventuro muito ;o) Espero que tenhas gostado da festa!
Comentário de Ana Lopes em 31 Maio 2011 às 11:47

Excelente artigo e fotos, estive lá na sexta, mas não me aproximei assim tanto :)))

Comentário de Dorilda J. P.Freire Barreiros em 30 Maio 2011 às 14:55
Os toiros são bons de pegar, mas com "os olhos", eu não me cehgo lá perto. Tudo qunato é festa popular e tradicional é muito bom. As fotos são muito boas
Comentário de António Manuel Barreiros em 30 Maio 2011 às 14:38
Muito bom o artigo e excelentes fotos. Parabéns...

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