No calendário estival, Paredes de Coura não é a derradeira paragem porque os ravers também merecem consideração e na semana seguinte as batidas rumam à Azurara onde estarão os 2 Many DJs, entre outros, mas quando a chuva se abate sobre o anfiteatro natural situado junto ao Rio Taboão, é praticamente impossível evitar o sentimento de melancolia de quem é obrigado a vestir o blusão de ganga. No mínimo.

O cartaz deste ano não é fabuloso. Falta um nome agregador, capaz de projectar o festival para fora do recinto, mesmo aceitando que a lógica de Paredes de Coura não passa por cativar multidões sazonais. Mas para uma 20ª edição, parece pouco e, ainda para mais, quando o cartaz ganhou um dia. A maior atracção popular acaba por ser o regresso dos Ornatos Violeta, banda que evitou ceder à pressão de muitos fãs - parte deles conquistados após o óbito assumido há dez anos - mas que, à boleia da reedição dos dois únicos álbuns e da soma de uma mão cheia de inéditos, está agora de volta aos palcos. É no dia 17, aquele em que o cartaz ganha fulgor com os Dead Combo, The Go! Team e os autores de um dos poucos álbuns de 2012 que ainda vale a pena ouvir do primeiro ao último segundo: os Chromatics que este ano nos deram o lindíssimo Kill For Love, um tratado de canções etéreas algures entre os Jesus & Mary Chain e a chillwave.

Do fim para o princípio, a noite de 16 de Agosto tem nos Gang Gang Dance, Of Montreal, Whitest Boy Alive e Anna Calvi um alinhamento homogéneo quase destruído por uma banda que faz os Oasis soar geniais; os desnorteados Kasabian. Nos palcos secundários, vale a pena prestar atenção aos School of Seven Bells e dourar a pílula com os In Flagranti.

A 15 de Agosto, jogam-se as fichas num dos mais brilhantes produtores britânicos do presente: Totally Enormous Extinct Dinosaurs cujo primeiro longa-duração Trouble é um buffet de electrónica vanguardista ao serviço da canção. A considerar também, Sleigh Bells, Willis Earl Beal, Kavinsky e Digitalism. Mas mais uma vez, não chega.

Os dois primeiros dias são um exclusivo da Vodafone FM e têm como maior motivo de interesse nova prova de palco para um B Fachada genial em estúdio mas pouco convincente ao vivo. As canções do novo Criôlo merecem essa oportunidade.

Caso nenhum dos argumentos apresente seja convincente, há sempre a possibilidade de fotografar as paisagens idílicas do festival e ganhar likes e seguidores do Instagram. Já não há festivais só com música.

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Comentário de Viagens da Minha Terra em 9 Agosto 2012 às 18:07

Já foi um dos meus festivais favoritos, mas este ano devem estar a poupar nas contratações:)

Comentário de Ana Pracaschandra em 8 Agosto 2012 às 13:20

Já percebi a sincronia de pensamentos :)

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