Que está na moda ser DJ é uma evidência tão grande quanto a Terra girar à volta do Sol. A posição relativa do DJ nos dias de hoje é, de resto, muito semelhante. O DJ tornou-se uma espécie de dono do mundo, superestrela entre os artistas, dotado de poderes indecifráveis na arte de manipular a tecnologia, mais até do que escolher as canções certas. O tema é inteligentemente debatido por quem sabe: A-Trak na sua coluna no Huffington Post. Mas esses são outros quinhentos.

Desçamos à Terra. Qual deve ser o primeiro motivo para alguém ser DJ? Gostar de música. E o segundo? Ter gosto em levar essa mesma música às pessoas. Sem distinções de género, credo, raça, cor ou volume de conta bancária. E de preferência, que essa audiência se divirta. Se não for pedir muito, que dance. Ficam todos a ganhar: o DJ entusiasma-se e pode ser que seja convidado pelo dono do clube para uma próxima vez. A plateia perde calorias sem ir ao ginásio e pode ir à praia descansada no dia seguinte, sem se preocupar com a celulite ou com desenho dos abdominais. E quanto ao six pack, acabou na noite anterior. Azar

Por enquanto sou mais jornalista que DJ, indicam a minha agenda e conta bancária (o dinheiro não brilha tanto como o sol mas tem mais poder), mas o equilíbrio está perto e pende para o lado esquerdo. A soma de ambas produz um resultado muito superior a dois e, por estes dias, só o imaginar-me sem uma das facetas é quase tão assustador como perder um rim. Ou um pulmão. No fundo, ambos os papéis têm um só argumento: o amor pela música e a vontade de a mostrar a todos os que a quiserem ouvir.  

Há coisa de um mês, um amigo perguntava-me o que é que eu tocava, eu hesitei e respondi-lhe: "toco o que gosto e que é muito porque quando se gosta de música, gosta-se de músicas e a nossa jukebox mental encontra sempre resposta para as ansiedades da pista". A única condição é essa mesmo: ser fiel ao carácter, independentemente de o ritmo ser lento ou rápido, de um contexto ser de fim-de-tarde ou de after e do registo ser tecno minimal ou ghetto funk.

E depois desta prosa, só me consigo mesmo recordar da primeira canção que me fez despertar para o beat.

Estes e outros pensamentos podem ser confirmados sexta-feira no Quiosque da TimeOut (22h00-02h00) e sábado no Clube Ferroviário (17h00-21h00). Sem grandes teorias.

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Comentário de Ana Pracaschandra em 25 Julho 2012 às 15:21

Tenho de começar a dar uso a minha mesa de mistura esquecida lá em casa! :)

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