GASTRONOMIA: A dona Bela e os seus petiscos

Foi num domingo à noite que conheci a casa da dona Bela. Instalado na Rua dos Remédios, este espaço fica um bocadinho escondido para quem não conhece a zona. Nós chegámos uns minutos depois da meia-noite.

Foi uma noite dedicada a Lisboa. Passeámos pela Mouraria, jantámos no Intendente e seguimos para uma sessão de cinema ao ar livre, no Espaço Mouraria um sítio fantástico e desconhecido para mim, mesmo ali debaixo do nosso nariz. Um filme do Woody Allen depois, demos por nós naquele momento indeciso da noite: “e agora para onde vamos?”.. Bacalhoeiro? Trobadores? Na..na…estão fechados ao domingo. "Porque não vamos à Bela ouvir um fado?" Ora bem, vamos sim senhor e com sorte ainda apanhamos a Gisela João, menina-mulher, com voz furacão. Subindo a Rua dos Remédios…aproximámo-nos da entrada da Bela, que estava à pinha e transbordava pessoas para a rua….luzes apagadas e "silêncio que se estava a cantar o fado". Quem não conhecia o lugar pensaria como eu: “bem será impossível encontrar lugar, neste cubículo cheio de gente apaixonada por um serão bem português”. Empoleirámo-nos, esticámos o pescoço, mas o campo de visão era minúsculo. No “intervalo”, ligaram-se as luzes, e várias pessoas acumuladas lá de dentro saíram para fumar um cigarro, apanhar ar, ou para tomar outro rumo. Nós entrámos em fila indiana, ajeitando-nos como podíamos no espaço, e vislumbrámos uma mesa vaga. Como predadores que olham para a sua presa, atacámos a tal mesita rodeada de bancos com quatro pernas. Mandámos vir um chouriço assado e um vinho tinto da casa. Como disse o Davide Pinheiro noutro jantar em que o levei lá, “os comes vinham nos bebes”, a ementa vinha colada à garrafa do elixir tinto da casa. O chouriço chega à mesa numa taça inflamada e nós fomos logo seduzidos pelo cheiro apetitoso. De repente, as luzes baixam e shhhhh, “silêncio que se vai cantar o fado”! Era a Gisela João.

Olhei em volta e observei toda a gente que a admirava: grupos de amigos, casais, famílias. Alguns tinham lágrimas a rasar os olhos, outros suspiravam de relaxamento, quase em momento meditativo, e havia ainda outros que encostavam a cabeça num ombro amigo.

Apesar de não conhecermos ninguém para além do nosso grupo, sentíamo-nos em casa e em família. Estávamos na mesma onda, sincronizados pela melodia do fado e pelos mimos da bonita anfitriã Bela. Os olhares trocavam-se e entendiam-se. Ali tudo era reciproco. 

A Bela é a alma da casa e ninguém lhe tira o lugar. É impressionante como algumas pessoas nasceram para juntar outras, e trazer ao de cima o que há de melhor nelas. Aqui fica a sugestão de um espaço aparte, onde nunca se sentirá de parte. Aqui uma noite será sempre em “família”, alimentada por boa música, bons petiscos e boa energia.

Morada: Rua dos Remédios, nº190, Alfama, Lisboa
Tel.: +351 926 077 511
Site Bela e Petiscos
Horário: Todos os dias, das 20h:00 às 04:00

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